Bolsa cai e dólar fica estável puxado por exterior

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São Paulo – A Bolsa fechou em queda de 1,10%, aos 124.612,03 pontos, com o mercado preocupado com as regulações do governo chinês às empresas de tecnologia e educação privada do país, o que levou a desvalorização da maioria das bolsas mundiais. Somado a isso, os investidores mantiveram cautela em relação à reunião do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano). As commodities também contribuíram para o recuo.

Na visão de Rodrigo Franchini, sócio e responsável pela área de produtos da Monte Bravo, “muito do nosso movimento negativo vem do driver importante lá de fora, com algumas mudanças de diretrizes na China em relação às empresas de tecnologia e educação. O governo não deixa que essas empresas tenham fins lucrativos”.

Outro ponto de atenção dos investidores citado por Franchini é a reunião do Fed amanhã. Ele não acredita que “saia de imediato uma grande mudança, mas se espera um direcionamento para o mercado entender quais os próximos passos para o início de 2022, tanto no patamar de juros como recompra de títulos”. Ele enfatizou que “é natural que aqui vai reverberar de uma maneira mais volátil esses pontos.

Franchini explicou que metade da nossa Bolsa é de investidores estrangeiros e  “se esses drivers se acalmarem ou se apresentarem melhor, ele vai entender se o Brasil faz sentido agora ou não”.

Os analistas de research e estratégia da Terra Investimentos comentaram que os investidores receiam que a queda dos papéis na China seja estendido aos títulos e moedas do país devido à regulação de empresas. Eles observaram que esse movimento “pesa em commodities e ativos locais, como Vale, siderúrgicas e Petrobras.

O analista sênior Luiz Henrique Wickert, da plataforma sim; paul, afirmou que  a desvalorização na Bolsa está relacionada a fatores externos. “O mercado está temendo as medidas regulatórias da China principalmente o setor tecnologia, e isso faz sentido com a queda forte da Nasdaq, destoando do recuo das outras bolsas norte-americanas”.

O analista sênior da plataforma sim; paul comentou também que essa medida por parte da China “impacta as empresas de  commodities por aqui”. Outro ponto de observação de Wickert é que o mercado acredita em um aumento para a Selic em um ponto porcentual. “Desde o dado do IPCA-15 acima do esperado na sexta-feira, o mercado consolidou as apostas de que o Copom vai subir os juros em 1 ponto porcentual na semana que vem, mas é uma notícia residual”.

Após apresenar forte volatilidade ao longo da sessão, o dólar comercial fechou estável, sendo negociado a R$ 5,1750 para venda. Analistas já previam essa oscilação para a moeda norte-americana na sessão devido ao ingresso de estrangeiros no Brasil em busca das ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês).

O gestor de investimentos independente, Paulo Petrassi, analisa que grande parte dessa tensão é causada pela reunião Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que ocorre nesta quarta: “A tensão no mercado é grande, tanto pela retirada de estímulos à economia quanto pelo teor do discurso”.

Petrassi, porém, é cauteloso quanto aos movimentos do câmbio. “Não vejo isso como um fortalecimento do Real. Os investimentos foram abaixo do esperado. Apesar da expectativa, hoje foi um dia normal no mercado”, analisa.

“As bolsas asiáticas fecharam mistas o pregão desta terça-feira, com osíndices da China ainda fortemente impactados pela ofensiva regulatória do governo de Pequim sobre os setores de tecnologia e educação privada. Ainda pesa nos mercados a cautela com a disseminação da variante Delta do coronavírus, que tem afetado indicadores econômicos”, explicou em relatório matinal, Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora.

“Lá fora o dólar ganha de seus pares e das moedas emergentes e ligadas as commodities. Internamente deveremos ter uma abertura em alta, acompanhando o desempenho visto no exterior, porém, o real poderá inverter sinal e trabalhar descolado com os fluxos de investidores estrangeiros para os IPOs, como vimos nas últimas sessões”, acrescentou.

Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, essa instabilidade está ligada tanto a fatores quanto externos. “O mercado abriu com rumores que investidores norte-americanos estavam se desfazendo de ações chinesas. Existe uma aversão ao risco”, analisa.

A situação interna, porém, é mais preponderante nesta volatilidade da moeda, como o provável aumento dos juros na taxa Selic. “A expectativa é que ocorra um aumento entre 100 e 125 pontos, a última reunião do banco Central deixou a porta aberta para uma política mais agressiva.” A previsão de aumento na inflação para 2022, no último boletim Focus, também é sentida pelo mercado.

“Também tem a questão política. O senador Ciro Nogueira (PP) ter sido confirmado como o novo ministro da Casa Civil também acalma o mercado, acenando que as reformas podem ser aprovadas”, complementa Luciano.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em leve alta, retomando o movimento de abertura observado nos últimos dias em meio a um cenário de forte pressão inflacionária e atividade econômica claudicante. A tendência de alta consolidou-se depois de um leilão de títulos públicos com demanda praticamente integral realizado no fim da manhã. Ainda assim, as taxas chegaram ao fim do dia longe das máximas da sessão.

Por volta das 15h20, o DI para janeiro de 2022 apresentava taxa de 6,22%, de 6,19% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,635%, de 7,610; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,42%, de 8,38% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,76%, de 8,74%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano fecharam em queda, com os investidores aguardando os balanços de gigantes da tecnologia e a decisão de política monetária do Fed, prevista para amanhã.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,24%, 35.058,52 pontos

Nasdaq Composto: -1,21%, 14.660,60 pontos

S&P 500: -0,47%, 4.401,46 pontos