Bolsa acompanha exterior e sobe; dólar avança e bate recorde

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São Paulo – O Ibovespa encerrou a sessão em alta de 2,17%, aos 80.687,15 pontos. O índice seguiu o otimismo externo com a expectativa de um acordo para o corte de produção de petróleo no mundo, além da proposta de João Doria para o início gradual do fim da quarentena em São Paulo a partir de 10 de maio.

“Como ontem foi feriado no Brasil e não tivemos mercado, a Bolsa acabou escapando da queda lá fora de ontem e subiu bem hoje acompanhando esses mercados. A disputa pelo petróleo parece que vai dar um pouco de trégua e isso deve ajudar o Ibovespa a se manter acima dos 80 mil pontos”, afirmou um gerente de mesa de operações de um grande banco.

Para o economista-chefe do modalmais, Álvaro Bandeira, a expectativa para o dia já era de que a Bolsa brasileira fosse melhorando, seguindo o exterior. Mas, segundo ele, foram os números sobre os estoques semanais de petróleo bruto e derivados nos Estados Unidos que definiram o rumo. “A notícia saiu às 11h30 e o dia melhorou depois disso”, observa.

Além do fator “petróleo” os analistas vêm demonstrando otimismo com o plano apresentado por João Doria para colocar um fim gradual no isolamento social no estado de São Paulo, tendo como data de início o dia 10 de maio. Esse plano ainda depende da aprovação dos comitês especializados em saúde e montando pela equipe do governador.

Mais cedo, Régis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos, explicava que além desses movimentos já citados, os investidores se animaram com a possibilidade de um corte mais brusco na Selic (taxa básica de juros) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre em maio, com um corte de 0,75% ponto percentual (pp), para 3% ao ano (aa).

Entre as ações, o destaque ficou com as empresas do setor de varejo. A ação ordinária da B2W Digital (BTOW3) fechou com alta de 16,76%, enquanto o papel ON da Via Varejo (VVAR3) subiu 13,29%, a ação ON do Pão de Açúcar (PCAR3) avançou 8,92% e o papel preferencial da Lojas Americanas (LAME4) apresentou ganho de 8,86%.

O dólar comercial fechou em forte alta de 1,95% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4120 para venda, na máxima histórica de fechamento, em sessão de correção na volta do feriado local, exterior mais negativo para moedas de países emergentes e com apostas de que o Banco Central (BC) deverá cortar a taxa básica de juros (Selic) no início de maio.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, ressalta o viés de ajuste na volta do feriado doméstico após forte valorização da moeda norte-americana ontem em meio ao “colapso do petróleo”. Ele acrescenta que as expectativas de um corte “mais agressivo” da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC “induziram” novas saídas de investidores estrangeiros do país.

“A probabilidade implícita de corte de 0,75 ponto percentual [indo a 3,0% ao ano] passa dos 80%”, acrescenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.

Com esses fatores, a moeda renovou máximas históricas sucessivamente, por quase 30 vezes ao longo da sessão e rompeu pela primeira vez o nível de R$ 5,40, levando o BC a atuar no mercado com a operação de swap cambial tradicional – equivalente a venda de dólares no mercado futuro.

O leilão que teve volume aceito de US$ 330,0 milhões, abaixo do total ofertado, levou a moeda a operar abaixo dos R$ 5,40, mas a divisa ganhou força perto do fim do pregão.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica a leitura preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade dos setores industrial e de serviços nos Estados Unidos neste mês. “O indicador será um bom termômetro sobre a economia do país”, diz Spyer. Tem ainda a prévia dos PMIs do Reino Unido e da zona do euro.