Biden foca em assuntos domésticos em discurso anual ao Estado da União

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden / Foto: Casa Branca

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, realizou na terça-feira (7) seu segundo discurso anual ao Estado da União e priorizou assuntos domésticos ao se dirigir a parlamentares democratas e republicanos.

Logo no início de suas considerações, Biden pediu aos membros do Partido Republicano que trabalhem com ele para “terminar o trabalho” de reconstruir a economia e unir o país.

“Muitas vezes nos dizem que democratas e republicanos não podem trabalhar juntos. Mas nos últimos dois anos, provamos que os cínicos e os pessimistas estavam errados. Sim, nós discordamos bastante. […] Mas, repetidamente, democratas e republicanos se uniram”, disse.

VIOLÊNCIA POLICIAL

O democrata reforçou seu apelo por uma reforma da polícia dos Estados Unidos e disse que os policiais que “violam a confiança pública” devem ser responsabilizados.

“Eu sei que a maioria dos policiais e suas famílias são pessoas boas, decentes e honradas. E eles arriscam suas vidas toda vez que colocam esse escudo”, afirmou Biden.

“Mas o que aconteceu com Tire em Memphis acontece com muita frequência. Temos que fazer melhor”, acrescentou, referindo-se ao homem negro de 29 anos que foi morto por policiais em janeiro.

“A segurança pública depende da confiança do público, mas com muita frequência essa confiança é violada”, observou. “Quando policiais ou departamentos de polícia violam a confiança pública, eles devem ser responsabilizados”, acrescentou.

ECONOMIA

Biden elogiou a resiliência da economia norte-americana, especialmente com o desempenho do mercado de trabalho acima das expectativas em janeiro.

“Taxa de desemprego em 3,4%, uma baixa de 50 anos. Taxa de desemprego quase recorde para trabalhadores negros e hispânicos. Já criamos 800 mil empregos bem remunerados na indústria, o crescimento mais rápido em 40 anos”, observou.

Ele também mencionou a inflação, um grande desafio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) nos últimos anos.

“A inflação tem sido um problema global por causa da pandemia que interrompeu as cadeias de abastecimento e da guerra de Putin que interrompeu o fornecimento de energia e alimentos. Mas estamos melhor posicionados do que qualquer país da Terra. Temos mais o que fazer, mas aqui em casa a inflação está caindo”, disse.

GRANDES CORPORAÇÕES

O presidente dos Estados Unidos criticou as corporações que tentaram lucrar com a pandemia. Biden citou uma lista de propostas propostas econômicas que inclui um imposto mínimo para bilionários e uma quadruplicação da tributação sobre recompra de ações corporativas.

“As grandes corporações não estão apenas tirando proveito do código tributário”, disse. “Eles estão se aproveitando de você, o consumidor americano”, acrescentou.

GUERRA NA UCRÂNIA

Ao final do discurso, Biden citou a guerra no Leste Europeu e parabenizou o Congresso por apoiara Ucrânia contra as ofensivas da Rússia.

“Unimos a Otan e construímos uma coalizão global. Nós nos posicionamos contra a agressão de Putin. Ficamos com o povo ucraniano”, afirmou.

“Esta noite, estamos mais uma vez acompanhados pela Embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos. Ela representa não apenas sua nação, mas a coragem de seu povo”, disse ele, dirigindo-se a Oksana Markarova.

CHINA

Em referência ao balão da China que circulou no espaço aéreo dos Estados Unidos na semana passada, Biden garantiu que protegerá seu país.

“Estou comprometido em trabalhar com a China, onde podemos promover os interesses americanos e beneficiar o mundo”, disse. “Mas não se engane: como deixamos claro na semana passada, se a China ameaçar nossa soberania, agiremos para proteger nosso país. E foi o que fizemos”, acrescentou.

Ele também elogiou a legislação aprovada no ano passadoque impulsionou a indústria de semicondutores dos Estados Unidos e prometeu mais investimentos.

“Não pedirei desculpas por estarmos investindo para tornar a América forte. Investir na inovação americana, em indústrias que definirão o futuro, que a China pretende dominar”, disse o democrata.