Biden apresenta plano de infraestrutura de US$ 2 tri financiado por aumento de impostos

O presidente norte-americano, Joe Biden, caminha em direção ao Salão Oval da Casa Branca / Foto: Casa Branca

São Paulo – O presidente norte-americano, Joe Biden, apresentou seu plano para infraestrutura avaliado em US$ 2 trilhões que tem como objetivo acelerar a recuperação da economia e aumentar a competitividade dos Estados Unidos no cenário internacional, especialmente em relação a China.

Para isso, Biden propõe não só investimentos em estradas, rodovias, pontes e aeroportos, mas também em tecnologia, em banda larga e na economia verde. Segundo ele, a proposta será financiada com o aumento de impostos, principalmente para as empresas.

“Chegou o momento de reconstruirmos os Estados Unidos. Com este plano, criaremos oportunidades para todos os norte-americanos, fomentando empregos mais bem remunerados e impulsionando a economia. Este plano também nos colocará em uma posição melhor no cenário internacional, podendo concorrer com a China”, disse ele em um discurso em Pittsburgh, onde deu início à sua campanha presidencial.

A medida, que vem depois que Biden sancionou um projeto de lei de alívio ao novo coronavírus de US$ 1,9 trilhão, é a primeira de um plano econômico de duas partes que o presidente norte-americano espera aprovar no Congresso nos próximos meses. Um segundo plano focado em cuidados infantis, saúde e educação será lançado em abril.

“Este plano melhorará rodovias, estradas, pontes e aeroportos, além de ajudar os Estados Unidos a combaterem as mudanças climáticas, favorecendo a transição para os carros elétricos e preparando o país para a energia limpa do futuro. Os custos com serviços de internet também devem despencar”, afirmou Biden.

A proposta, no entanto, enfrenta obstáculos: a oposição dos republicanos a aumentos significativos de impostos e a preocupação dos democratas moderados sobre grandes gastos. Ainda assim, o presidente norte-americano confia em um esforço bipartidário para que a proposta passe no Congresso.

“Esse plano será financiado com o aumento de impostos, mas garanto a vocês que ninguém com renda abaixo de US$ 400 mil verá seus tributos subirem. Vamos elevar os impostos corporativos e espero que nenhuma empresa que fature bilhões a exemplo da Amazon reclame de um aumento de 28% nos impostos”, disse Biden.

A Casa Branca informou que a proposta custará US$ 2 trilhões ao longo de oito anos e seria paga por mais de 15 anos aumentando a alíquota do imposto corporativo de 21% para 28% e aumentando os impostos sobre os lucros das empresas no exterior. As mudanças tributárias renovariam ou substituiriam grande parte da estrutura tributária internacional que o Congresso construiu há apenas quatro anos na lei assinada pelo então presidente Donald Trump.

“Não há razoes para que esse plano não seja aprovado com um esforço bipartidário. Precisamos deixar as divisões de lado. Espero que o Congresso, as empresas e os cidadãos se unam em torno dessa proposta”, acrescentou.

PRINCIPAIS PONTOS DO PLANO

–  US$ 115 bilhões para a modernização de 20 mil milhas (321 mil quilômetros) de pontes, rodovias, estradas e ruas principais – isso inclui financiamento para melhorar a qualidade do ar, limitar as emissões de gases de efeito estufa e reduzir o congestionamento

– US$ 85 bilhões para a modernização do transporte público existente e ajuda às agências na expansão de seus sistemas para atender à demanda dos passageiros

– US$ 80 bilhões para serviços de transporte ferroviário de passageiros e carga

– US$ 25 bilhões para melhorias em aeroportos e mais US$ 17 bilhões adicionais para vias navegáveis, portos costeiros, portos de entrada terrestres e balsas

A proposta de Biden inclui ainda US$ 400 bilhões para ajudar a cuidar dos idosos e portadores de deficiência, US$ 300 bilhões para impulsionar a indústria de manufatura, US$ 213 bilhões para reforma e construção de moradias populares e US$ 100 bilhões para expandir o acesso à banda larga, entre outros investimentos.

O plano prevê a construção de 500 mil  estações de recarga de veículos elétricos; substituição de tubos de chumbo e linhas de serviço existentes no país; reparo de escolas antigas; expansão do atendimento domiciliar para idosos e deficientes; e investimento em bilhões de dólares na fabricação nacional de semicondutores.

Biden também propõe estabelecer um padrão determinando que porções crescentes da eletricidade do país sejam geradas a partir de fontes de baixo carbono, com o objetivo de eliminar as emissões de carbono da rede elétrica até 2035. A proposta requer aprovação do Congresso.