BC reduz previsão de alta do PIB 2020 de 2,2% para estabilidade

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São Paulo – O Banco Central revisou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2020 de alta de 2,2% para estabilidade, segundo informações no Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Tal revisão deve-se ao efeito contracionista da atual pandemia de coronavírus.

No documento, o BC observa que a expansão do PIB no quarto trimestre de 2019 e as informações setoriais referentes aos primeiros meses deste ano corroboram o cenário de recuperação gradual da atividade. Segundo o BC, a economia mundial, incluindo a brasileira, passa por momento de elevado grau de incerteza em decorrência da pandemia de coronavírus, que está provocando desaceleração significativa da atividade econômica, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de ativos financeiros. Nesse contexto, o ambiente para as economias emergentes tornou-se desafiador.

Com isso, a alteração da projeção para o PIB deste ano está associada aos impactos econômicos expressivos decorrentes da Covid-19. “Adicionalmente, resultados abaixo do esperado em indicadores econômicos ao final de 2019 e início de 2020 afetaram a expectativa de desempenho da atividade no primeiro trimestre”, afirma a autoridade monetária, em um boxe sobre a revisão da projeção do PIB.

Em termos de trajetória, o BC afirma que a projeção para o PIB deste ano considera um “recuo acentuado” no segundo trimestre, seguido de retorno relevante nos últimos dois trimestres de 2020. Ainda assim, o BC ressalta que a projeções foram realizadas em um ambiente de crise e a magnitude dos impactos da pandemia sobre a atividade econômica doméstica está associada à gravidade e à extensão do período do surto no país e às medidas públicas que estão sendo adotadas em diversas áreas.

Em um boxe especial do RTI, o BC fala sobre os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus. No documento, a autoridade monetária afirma que o surgimento e a disseminação da COVID-19 trouxeram impactos severos à economia mundial e doméstica. Ainda assim, o BC ressalta que ainda há “elevada incerteza” sobre a magnitude e persistência da doença e seus efeitos econômicos.

O RTI lembra que o governo chinês reportou à Organização Mundial da Saúde (OMS) casos provocados pelo novo coronavírus em 31 de dezembro de 2019, com o vírus se disseminando na Província de Hubei. “Os impactos econômicos do novo coronavírus na China foram observados inicialmente nos setores de viagens transporte e turismo, em meio ao feriado do ano novo chinês”, observa o BC.

À medida que novos casos na China se reduziam gradualmente, entre a segunda quinzena de fevereiro e a primeira de março, a disseminação avançava rapidamente pelo mundo. “Essa disseminação de Covid-19 em âmbito global tem levado vários governos a restringir a circulação de pessoas e, mais recentemente, a impor lockdowns [bloqueios], como forma de retardar a disseminação do vírus e, dessa forma, reduzir a sobrecarga sobre os sistemas de saúde locais”, afirma o BC.

Para a autoridade monetária, tais medidas, adotadas com o objetivo de conter a velocidade de propagação do vírus, trazem impactos no curto prazo sobre linhas de produção e oferta de produtos e serviços, além de implicarem recuos significativos na demanda por bens e serviços em determinados segmentos, elevando o desemprego e reduzindo a renda do trabalho.

Internamente, o BC lembra que as autoridades brasileiras também têm atuado com o objetivo de “mitigar as consequências econômicos do surto de Covid-19”. O BC observa que as expectativas de crescimento doméstico já se deterioravam em virtude da piora observada no exterior, da perspectiva de continuidade do avanço da doença no país e da evolução dos indicadores financeiros.