BB Investimentos eleva preço-alvo e prevê rendimento de 12,7% em dividendos

São Paulo – A BB Investimentos revisou o preço-alvo da Vale para 2022 para R$ 125,00, de R$ 94,81 na ação ordinária (VALE3), e para US$ 24,00 para o papel nos Estados Unidos, com recomendação de compra, considerando um potencial de valorização de 31,8%, que incorpora as novas estimativas da empresa, os resultados recentes e novas premissas para o setor de mineração.

A análise destaca o alto retorno aos acionistas, com a empresa consolidada entre as maiores pagadoras de dividendos, citando a proximidade de distribuição de dividendos no fim de setembro referente ao lucro do primeiro semestre, de no mínimo, US$ 5,3 bilhões, além de novos programas de recompra de ações que poderão ser realizados pela companhia. Os analistas projetam um rendimento de 12,7% em relação ao pagamento de dividendos de 2021 e apontam que restam 80 milhões de ações para serem potencialmente recompradas, de um total de 270 milhões, sendo que a companhia desembolsou US$ 4 bilhões até o mês de agosto para essa finalidade.

“Acreditamos que, com a queda recente das cotações, a empresa poderá realizar novos programas de recompra após a conclusão do programa atual. Combinadas, as duas estratégias de alocação de capital têm proporcionado alto retorno aos acionistas, e deverão permanecer nos próximos períodos, segundo a empresa, dadas as perspectivas de continuidade de lucros e balanço robustos”, escreveram os analistas, em relatório.

Em apresentação a investidores na semana passada, a companhia apresentou o briquete verde, novo produto patenteado pela mineradora com potencial para substituir pelotas, sinterização e granulados, e atualizou o seu plano de retomada de capacidade produtiva, com a redução da estimativa de capacidade instalada para 343 Mtpa para o final de 2021 e revisão do cronograma de retomada para os anos seguintes, para 370 Mtpa, de 400 Mtpa, no final de 2022, chegando a às 400 Mtpa anteriores ao rompimento da barragem de Brumadinho estimada para o ano que vem somente em 2023.

A análise cita que a revisão foi necessária para refletir principalmente atrasos em obtenção de licenciamentos. A mineradora detalhou o status dos projetos em andamento e apresentou novos projetos que poderão contribuir para neutralizar a postergação do cronograma.

“Apesar de reconhecermos que a empresa continua apresentado evoluções importantes no caminho de retomada do nível de suas operações, seguimos atentos ao avanço do cronograma. A retomada das 400 Mtpa é bastante aguardada pelo mercado pois, além de trazer a liderança mundial de volta para a Vale, exercerá impacto direto na oferta global de minério de ferro, influenciando a dinâmica do setor e, consequentemente, nos preços da commodity no médio prazo”, comentaram.

Em relação ao novo produto, os analistas consideraram os anúncio positivo devido aos benefícios como menor custo de produção, alta qualidade e a redução da emissão de gases de efeito estufa na produção. “Além da busca pela retomada da liderança global em volumes, a empresa deu um passo concreto em direção a se posicionar na liderança do mercado de minério de ferro de baixo carbono, para aumentar sua competitividade e assegurar a perenidade dos negócios frente à transformação da siderurgia e das cadeias produtivas no futuro”, opinaram.

VOLATILIDADE

O BTG Pactual aponta que as ações da Vale caíram foram atingidas por uma volatilidade sem precedentes nos preços do minério de ferro, que colapsou 46% nas últimas semanas, com queda de quase 20% em relação às altas. Na visão dos analistas, os investidores deveriam se atentar ao pagamento de dividendos que a companhia irá anunciar no fim de setembro, que projetam em US$ 8 bilhões, com rendimento de 8,5%.

Além disso, indicam que a companhia considera um cenário de preço potencial de minério de ferro de US$ 100 por tonelada para 2022 e, mesmo neste nível, a ação deve continuar descontada, o que pode exigir uma nova correção de 20% em relação ao nível de preço atual, na visão dos especialistas.

Com isso, eles recomendam a compra das ações da Vale, com preço-alvo de US$ 30,00 em 12 meses, e de US$ 18,03 para as os recibos de ações (ADR), especialmente devido ao pagamento de dividendos nos próximos dias, em relatório divulgado a clientes ontem.

Nesta terça-feira, a ação da Vale (VALE3) fechou o pregão na ponta negativa do Ibovespa, com queda de 0,53%, a R$ 93,90, refletindo a queda da cotação do minério de ferro.