Bancos e Vale puxam alta da Bolsa; dólar sobe com correção

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Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo – Após operar em baixa na maior parte da manhã, o Ibovespa fechou em alta pelo quinto pregão consecutivo, com ganhos de 0,88%, aos 93.828,61 pontos, puxado pelas ações de bancos e da Vale. Investidores seguem indo às compras em meio uma a uma maior liquidez global e novas projeções de queda da Selic, o que fez o índice se descolar de Bolsas no exterior. O volume total negociado foi de R$ 31,4 bilhões.

O diretor de operações da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer, afirmou que segue ocorrendo um forte volume comprador na Bolsa brasileira, assim como nos últimos dias, e acredita que o corte da projeção do banco JP Morgan para a Selic ajudou o Ibovespa a acelerar ganhos rapidamente, chegando a subir mais de 1% na máxima do dia (94.132,30 pontos).

O JP Morgan reduziu de 2,5% para 1,75% sua previsão para a taxa básica de juros ao fim de 2020, esperando um corte de 0,75 ponto percentual (pp) na reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom), e de 0,50 pp na reunião de agosto. Uma taxa de juros baixa faz mais investidores migrarem recursos para a renda variável em busca de rentabilidade.

O analista da Terra Investimentos, Regis Chinchila, também cita a expectativa de uma Selic mais baixa e destaca principalmente um aumento do volume de compradores nesta tarde, com investidores ainda aproveitando papéis mais baratos, que tinham caído com mais força desde o início da pandemia, e apostando em uma recuperação da economia.

“A Bolsa brasileira estava atrasada e a pressão e volumes de compras dos últimos dia está muito forte, mas os fundamentos ainda são uma incógnita”, observa Chinchila.

A liquidez elevada no mundo tem impulsionado compras em meio a reabertura de economias. Hoje, por exemplo, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou um aumento de 600 bilhões de euros ao programa de compras emergenciais de ativos, montante acima dos 500 bilhões euros esperados, o que chegou a animar investidores antes das previsões negativas do PIB da região, que deve encolher 8,7% este ano, devido aos impactos da pandemia do novo coronavírus.

Já nos Estados Unidos, a balança comercial veio levemente abaixo do previsto, assim como os dados de seguro-desemprego, que caíram para 1,877 milhão esta semana, sendo que o mercado previa 1,8 milhão. Diante dos números, a maioria das Bolsas no exterior fechou em leve queda, com investidores aproveitando para embolsar lucros.

Entre as ações, as de bancos ajudaram o índice a se firmar em alta, com destaque para as do Santander (SANB11 3,74%) e do Itaú Unibanco (ITUB4 3,12%). Os papéis da Vale (VALE3 3,72%) também aceleraram após uma alta tímida pela manhã, passando a ficar entre as maiores altas do Ibovespa, ao lado ainda das ações da JBS (JBSS3 4,32%), da Suzano (SUZB3 4,85%), da Minerva (BEEF3 7,55%) e da Embraer (EMBR3 5,04%), que se recuperam após fortes perdas ontem com a queda do dólar.

Na contramão, as maiores perdas do índice foram da Rumo (RAIL3 -3,06%), da Ecorodovias (ECOR3 -3,88%), do Magazine Luiza (MGLU3 -3,07%) e da Cielo (CIEL3 -3,30%).

Amanhã, o destaque na agenda de indicadores, serão os dados de emprego nos Estados Unidos, conhecidos, como payroll, às 9h30, que devem ajudar a definir o rumo dos mercados.

O dólar comercial fechou em alta de 0,94% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1330 para venda, em dia de forte volatilidade com a moeda reagindo ao mercado externo e com movimento de correção técnica local após registrar as mínimas em quase dois meses ontem, ao se aproximar do nível de R$ 5,00.

O gerente da mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, destaca a intensa oscilação da moeda que abriu o pregão em queda seguindo o exterior com investidores comemorando a elevação do programa emergencial de compra de ativos de 1,35 trilhões de euros por parte do Banco Central Europeu (BCE).

“Mas inverteu sinal com declarações nada otimistas da presidente do BCE [Christine Lagarde] sobre as previsões futuras da economia na zona do euro”, comenta. Ela voltou a dizer que a região deverá registrar uma “contração” sem precedentes, além da previsão de queda de 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, destaca a correção da moeda no mercado doméstico depois de encontrar “espaço” para recuperação após semanas de valorização no qual a moeda se aproximou do patamar inédito de R$ 6,00 em meados de maio.

“Aquele patamar não estava justo. Houve um desmanche de posições de grandes bancos estrangeiros em dólar, refletindo em fluxo, com o otimismo da reabertura das economias na Europa e em parte dos Estados Unidos e com o cenário político aqui dando folga. Mas é natural ter essa pressão na moeda agora próxima dos R$ 5,00”, avalia.

Amanhã, o destaque na agenda de indicadores é o relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, no qual o mercado prevê o fechamento de 8,750 milhões de vagas em maio, após o eliminar 20,5 milhões de postos em abril, e a taxa de desemprego deve subir para 19,7%. Para Abdelmalack, investidores já precificaram dados “ruins” do indicador, o que não deverá fazer preço.