Banco do Japão mantém juros e vê recuperação econômica gradual

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Sede do Banco do Japão / Foto: Banco do Japão

São Paulo – O Banco do Japão (BoJ) manteve sua política monetária inalterada, com a taxa de depósitos em -0,1% e a meta para juros de 10 anos em zero, destacando que a economia do país está se recuperando de forma gradual da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

“A economia do Japão, com retomada da atividade econômica e a redução gradual do impacto da covid-19, é provável que siga uma tendência de melhoria, apoiada por condições e medidas econômicas do governo”, disse o banco, em relatório.

“No entanto, o ritmo de melhoria deverá ser apenas moderado enquanto a vigilância contra a covid-19 continua”. A economia deve continuar melhorando ainda mais na medida em que as economias estrangeiras forem retornando a uma trajetória de crescimento estável.

O banco prevê que a economia japonesa contraia 5,5% no ano fiscal de 2020, que termina em março de 2021, ante projeção de contração de 4,7% divulgada em julho. No ano fiscal seguinte, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 3,6%, ante previsão anterior de 3,3%.

Com relação aos preços, as expectativas são de enfraquecimento no médio prazo. O BoJ prevê que a taxa de inflação de referência, excluindo os efeitos do aumento de imposto sobre consumo e de políticas sobre provisão de educação grátis, em 0,7% neste ano fiscal, ante previsão anterior de 0,6%.

“O banco monitorará de perto o impacto do novo coronavírus (covid-19) e não hesitará em tomar medidas adicionais de flexibilização, se necessário, e também espera taxas de juros de política de curto e longo prazo devem permanecer nos níveis atuais ou mais baixos”

A decisão de política monetária foi aprovada por oito votos a favor e um contrário. O BoJ também reiterou que continuará comprando sem limites os títulos do governo japonês, e não anunciou alterações no seu programa de compra de ativos e em sem programa de empréstimos para apoiar o financiamento corporativo durante a pandemia.

Assim, o limite de compras anuais de ETFs (fundo de índice, ou exchange-traded fund, em inglês) foi mantido em 12,0 trilhões de ienes, e o de compras anuais de fundos imobiliários com cotas negociáveis em bolsa foi mantido em 180 bilhões de ienes.

Por fim, quanto a commercial papers e títulos de empresas, o banco manterá compras em cerca de 2 trilhões de ienes e cerca de 3 trilhões de ienes, respectivamente. Até o final de março de 2021, realizará compras adicionais com o limite de 7,5 trilhões de ienes para cada ativo.