Banco da Inglaterra mantém juros e aumenta compra de ativos

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BoE Reino Unido
Sede do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). Foto: Divulgação; Banco da Inglaterra

São Paulo – O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juro do Reino Unido inalterada em 0,1% e aumentou os estoque de compras de ativos em 150 bilhões de libras, para 875 bilhões de libras, em resposta aos impactos financeiros e econômicos da pandemia do novo coronavírus.

O banco manteve o estoque de compras de títulos corporativos em 20 bilhões de libras, assim como o programa existente de 100 bilhões de libras em compras de títulos do governo do Reino Unido. A decisão do Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês) foi unânime.

“Desde a reunião anterior do Comitê, houve um rápido aumento nas taxas de infecção de covid-19. O governo do Reino Unido e as administrações delegadas responderam aumentando a gravidade das restrições”, diz o banco, em comunicado.

Segundo o banco, há sinais de que os gastos do consumidor diminuíram, enquanto as intenções de investimento permaneceram fracas. “Os acontecimentos relacionados à covid-19 pesarão sobre os gastos de curto prazo em uma extensão maior do que o projetado no relatório de agosto, levando a um declínio no Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2020”.

A expectativa é de que os gastos das famílias e o PIB aumentem no primeiro trimestre de 2021, conforme as restrições diminuam, segundo o BoE. A futura relação do Reino Unido com a União Europeia (UE) após o período de transição do Brexit também pesa nas perspectivas.

“O comércio e o PIB do Reino Unido também deverão ser afetados durante um período inicial de ajuste, ao longo do primeiro semestre do próximo ano, quando o Reino Unido deixar o Mercado Único e a União Aduaneira em 1 de janeiro e deverá passar imediatamente para um acordo de livre comércio com a União Europeia”.

Com relação aos preços, a taxa de inflação deve permanecer em ou um pouco acima de 0,5% durante a maior parte do inverno local, antes de aumentar “à medida que os efeitos da redução dos preços da energia e do imposto sobre valor agregado se dissipem”. O BoE prevê inflação de 2% em dois anos.

Por fim, o MPC reiterou que continuará monitorando a situação de perto. “Se as perspectivas para a inflação se enfraquecerem, o Comitê estará pronto para tomar as medidas adicionais necessárias para cumprir sua missão”, diz.

“O Comitê não pretende apertar a política monetária pelo menos até que haja evidências claras de que avanços significativos estão sendo feitos na eliminação da capacidade ociosa e no cumprimento sustentável da meta de inflação de 2%”.