Banco central do Japão mantém taxa de juros inalterada em -0,1%

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda / Foto: Banco do Japão

São Paulo – O Banco do Japão (BoJ) manteve a taxa de depósitos do país em -0,1% e a meta para juros de 10 anos perto de zero, citando que a economia japonesa permanece em uma situação grave devido ao impacto do novo coronavírus.

A decisão foi aprovada por oito votos a favor e um contrário. O BoJ reiterou que continuará comprando sem limites os títulos do governo japonês, e manteve o limite de compras anuais de ETFs (fundo de índice, ou exchange-traded fund, em inglês) em 12,0 trilhões de ienes e o de compras anuais de fundos imobiliários com cotas negociáveis em bolsa em 180 bilhões de ienes.

O banco também manterá o limite de compras de commercial papers e de títulos de empresas em cerca de 20 trilhões de ienes no total até março de 2022. O BoJ continuará apoiando o financiamento de empresas por meio do Programa Especial de Apoio ao Financiamento em Resposta ao Novo Coronavírus.

“A economia do Japão acelerou como uma tendência, embora tenha permanecido em uma situação grave devido ao impacto do novo coronavírus (covid-19) em casa e no exterior”, diz o banco. “As exportações e a produção industrial continuaram a aumentar, apesar de algumas exportações e a produção terem sido afetadas por restrições do lado da oferta”.

Segundo o BC japonês, o nível de atividade econômica, principalmente no setor de serviços presenciais, deve ser menor do que antes da pandemia por enquanto. A economia deve se recuperar gradualmente, com o avanço da vacinação contra covid-19, o aumento na demanda externa, condições financeiras acomodatícias e medidas econômicas do governo.

Quanto à inflação, o índice de preços ao consumidor ficou em torno de zero, devido a um aumento nos preços da energia, apesar de ter sido afetado pela covid-19, e uma redução nas tarifas de telefonia móvel. Enquanto isso, as expectativas de inflação permaneceram mais ou menos inalteradas.

“Com relação aos riscos para as perspectivas, há grandes incertezas sobre as consequências da covid-19 e seu impacto nas economias interna e externa”, diz o banco, acrescentando que manterá sua política frouxa pelo tempo necessário para garantir que a inflação alcance a meta de 2% de forma sustentável.

“O banco monitorará de perto o impacto da covid-19 e não hesitará em tomar medidas adicionais de afrouxamento, se necessário, e também espera que a política de curto e longo prazo de taxas de juros permaneça nos níveis atuais ou mais baixos”.