Bailey alerta sobre realismo cauteloso ante recuperação econômica britânica

O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey / Foto: Banco da Inglaterra

São Paulo – O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, disse que as perspectivas de recuperação da economia britânica pós-pandemia são positivas, mas que é preciso ser realista sobre os desafios que virão, e que justificam a atual postura monetária.

“Se eu tivesse que resumir o diagnóstico, é positivo, mas com grandes doses de realismo cautelar”, de acordo com Bailey, em texto preparado para discurso em um evento.

“Há uma crescente sensação de otimismo econômico, nos mercados e nas medidas de confiança dos consumidores e empresários. A taxa de novas infecções de covid-19 está diminuindo e o programa de vacinação é uma grande conquista. Há luz no final do túnel”, afirmou.

“Uma nota de realismo, porém: nossa última previsão, em essência, pintou um quadro de uma economia que começa em um nível mais baixo de atividade, como resultado das restrições atuais e da cautela natural das pessoas associada ao início renovado da covid-19, que então volta ao ponto em que era antes da covid-19 no início do próximo ano”.

Segundo ele, há boas notícias nessa projeção, com rápida recuperação ainda este ano, e inflação voltando para perto de nossa meta de 2%, auxiliada pelas medidas do BoE, incluindo juros baixos e programa de compra de ativos, “o que, em minha opinião, justifica amplamente nossa atual postura em relação à política monetária”.

No mês passado, ao manter sua taxa de juros inalterada em 0,1%, bem como seu programa de compra de ativos, BoE disse que o PIB deve encolher cerca de 4% no primeiro trimestre de 2021, antes de recuperar-se rapidamente ao longo do ano e retomar seu tamanho pré-pandemia nos três primeiros meses de 2022.

O presidente do BoE reconheceu o alto nível de incerteza e os riscos em torno da recuperação da crise gerada pela pandemia, o que pode levar a adoção de outras ferramentas monetárias, e negou que o banco esteja inclinado ao uso de juros negativos.

“Decidimos pedir aos bancos que façam preparativos nos próximos seis meses, caso precisemos usar taxas de juros negativas para fornecer mais suporte. Isso não implica nada sobre nossas intenções nessa direção, e nem implica que taxas negativas são nossa ferramenta de política marginal escolhida, algo que, em minha opinião, depende do estado em todos os momentos”, afirmou.

Bailey disse ainda que choque da covid-19 foi profundo e exigiu um aumento da dívida pública e empresarial, “uma resposta necessária e sensata”. Segundo ele, o orçamento apresentado pelo governo britânico na semana passada “delineou uma série de medidas que o governo está tomando para apoiar o crescimento da economia por meio de investimentos significativos em infraestrutura, habilidades e inovação”.