Ata do Fed mostra que caso para corte de juros ganhou força nos EUA

Por Carolina Gama

São Paulo – O reflexo das incertezas ligadas ao comércio e da fragilidade da economia global sobre a economia dos Estados Unidos fez com que aumentasse o número de membros do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) que passaram a enxergar como apropriado um corte na taxa de juros do país, segundo a ata da reunião de política monetária de junho.

Prédio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Washington. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

Na ocasião, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve a taxa básica inalterada na faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano, mas o documento divulgado hoje mostra que muitos membros se disseram prontos para cortar os juros se as perspectivas econômicas foram ofuscadas pela desaceleração da expansão global, por uma inflação persistentemente baixa e pelas incertezas sobre o comércio mundial.

“Muitos julgaram que uma acomodação adicional da política monetária seria justificável no curto prazo, caso esses desenvolvimentos recentes se mostrem sustentados e continuem pesando sobre as perspectivas econômicas”, diz a ata.

“Vários outros observaram que a acomodação adicional de política monetária poderia ser apropriada se as informações recebidas mostrassem uma deterioração adicional nas perspectivas”, acrescenta.

Os membros do comitê declararam várias razões que exigiriam um corte da taxa de juros, segundo o documento. “Vários participantes observaram que um corte da taxa de juros poderia ajudar a amortecer os efeitos de possíveis choques adversos futuros na economia e, portanto, é uma política apropriada do ponto de vista de gerenciamento de risco”, afirma a ata.

Outros membros apontaram a baixa inflação como um motivo para juros menores nos Estados Unidos. “Alguns participantes também observaram que a contínua desaceleração na inflação era um risco para o abrandamento das expectativas inflacionárias que poderiam retardar o retorno sustentado da inflação à meta de 2% do Comitê”, diz a ata.

Neste sentido o documento mostra ainda que alguns participantes estavam preocupados que as expectativas de inflação já haviam se movido abaixo dos níveis consistentes com a meta simétrico de 2,0% e que era importante fornecer acomodação adicional no curto prazo para reforçar as expectativas de inflação.

NEM TODOS ESTAVAM CONVENCIDOS

“Alguns participantes julgaram que permitir que a inflação ultrapassasse 2,0% por algum tempo poderia ajudar a fortalecer a credibilidade do compromisso do Comitê com seu objetivo simétrico de inflação de 2%”, acrescenta a ata.

Apesar do número crescente de participantes que passaram a defender um corte da taxa de juros em junho, nem todos os membros do comitê estavam convencidos de que oferecer um afrouxamento monetário seria realmente adequado. Na reunião do mês passado, apenas dois participantes optaram pelo o corte da taxa naquele momento.

“Alguns participantes sugeriram que, embora agora julgassem que a trajetória apropriada da taxa da taxa de juros seria mais plana do que haviam assumido anteriormente, ainda não havia um forte argumento para um corte da taxa dos níveis atuais”, diz a ata.

Segundo o documento, alguns membros do comitê preferiram reunir mais informações sobre a trajetória da economia antes de concluir que uma mudança na orientação da política seria justificada.

“Alguns participantes expressaram a opinião de que, com a economia ainda em uma posição favorável em termos do mandato duplo, uma flexibilização da política na tentativa de acelerar a inflação, alguns décimos de ponto percentual arriscam o superaquecimento dos mercados de trabalho e levaria a desequilíbrios financeiros”, acrescenta o documento.

Mais cedo, o presidente do Fed, Jerome Powell, manteve em aberto a opção
de corte da taxa de juros na reunião de política monetária do final deste
mês, destacando que as perspectivas econômicas não melhoraram desde a
reunião do mês passado.

POWELL NO CONGRESSO

“O ponto principal para mim são as incertezas em torno do crescimento global e o comércio continua a pesar sobre as perspectivas”, disse Powell em depoimento semestral ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados.

Ele também afirmou aos deputados que o forte dado de emprego de junho, quando a economia norte-americana criou 224 mil vagas, não alterava a perspectiva para a política monetária e que o banco central não olhava apenas um dado para tomar decisões.

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