Argentina atrasará pagamento de dívida

Por Gustavo Nicoletta

O presidente da Argentina, Maurício Macri. Foto: Divulgação/ Casa Rosada

São Paulo – O governo da Argentina decidiu atrasar e parcelar o pagamento de dívidas de curto prazo a credores institucionais diante da dificuldade encontrada para trocar no mercado os títulos prestes a vencer por outros com maior duração.

Os títulos de dívida afetados pela decisão são as Letras do Tesouro (Letes), de Capitalização (Lecaps), as atreladas à inflação (Lecer) e as atreladas ao dólar (Lelink).

O plano do governo é quitar 15% do valor nominal dos papéis na data original de vencimento, 25% três meses depois desta data e os 60% restantes seis meses depois do prazo original, para os títulos cujo vencimento estava previsto para 2019. No caso dos títulos com vencimento em 2020, haverá apenas uma extensão no prazo de pagamento, de três meses.

Durante uma entrevista coletiva, o ministro da Economia da Argentina, Hernán Lacunza, disse que as medidas afetam apenas “os credores institucionais” e afirmou que a medida foi necessária devido à dificuldade encontrada pelo país para rolar a própria dívida, principalmente depois das eleições primárias.

“A medida busca aliviar a carga para o Estado de ter que pagar vencimentos da dívida que, até antes das Paso, se renovavam em 88% e depois caíram a 10%”, disse Lacunzo. Ontem, um dos leilões para a rolagem de Letras do Tesouro da Argentina, usado para rolar a dívida do país, foi declarado deserto – ou seja, não havia interessados em comprar os papéis.

Na Argentina, as eleições primárias – conhecidas como Paso – são abertas a todos os eleitores e servem para definir quem serão os candidatos na eleição de outubro. É durante as primárias que candidatos com apoio muito baixo são removidos da disputa.

As pesquisas eleitorais publicadas até pouco antes destas eleições, ocorridas no início de agosto, mostravam uma leve vantagem do presidente Mauricio Macri em relação à chapa da ex-presidente Cristina Kirchner, que é candidata a vice-presidente.

No entanto, Macri foi derrotado, recebendo 32,08% dos votos, enquanto a chapa da ex-presidente, encabeçada por Alberto Fernández recebeu apoio de 47,65% dos eleitores. Este resultado, se for repetido nas eleições de outubro, garantiria a vitória da chapa Fernández-Kirchner no primeiro turno. No dia seguinte às eleições primárias, a bolsa da Argentina caiu mais de 30% em reação ao resultado.

OUTRAS MEDIDAS

O governo da Argentina também prometeu enviar ao Congresso do país um projeto de lei para incluir as chamadas cláusulas de ação coletiva (CACs) nos títulos de dívida do país regidos pela legislação local.

Este dispositivo, que já existe nos títulos argentinos regidos por leis internacionais, permite que sejam feitas alterações nos termos de pagamento caso haja apoio da maioria dos credores. A intenção da Argentina é adiar o prazo de vencimento das dívidas de médio e longo prazo.

O governo também começou a negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para renegociar o prazo de pagamento dos empréstimos feitos até o momento ao país.

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