Argentina amplia prazo para ingresso em troca de dívida

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Bandeira argentina na Casa Rosada / Foto: Nações Unidas

São Paulo – O governo da Argentina prorrogou até 12 de junho o prazo para que investidores ingressem no programa de reestruturação da dívida do país. O ministro da Economia argentina, Martín Guzmán, disse que a mudança na data tem como objetivo permitir mais tempo para que se chegue a um acordo com os credores. O prazo anterior terminava nesta terça-feira.

“Hoje concluímos outra rodada de negociações sob um acordo de confidencialidade. As partes seguem se aproximando, mas ainda falta uma distância importante a percorrer. É necessário poder percorrer esta distância. Não seria bom se apressar para encerrar algo que não sirva à Argentina”, disse ele durante uma entrevista coletiva concedida ontem.

A Argentina havia reestruturado a própria dívida e retomado acesso ao mercado de capitais internacional em 2016, mas sob a premissa de que pagaria taxas de juros elevadas.

Para honrar o pagamento dessas taxas, porém, o governo dependia de um elevado nível de crescimento econômico. A Argentina, no entanto, está em recessão desde 2018 e neste ano a situação foi agravada pela pandemia da covid-19.

Diante da impossibilidade de cumprir o que havia sido prometido, o governo argentino apresentou uma proposta de renegociação de dívida que prevê, em resumo, uma redução no valor efetivamente devido aos credores, taxas de juros menores do que as atuais e um alongamento dos prazos de pagamento. A proposta também inclui restrições ao pagamento de dívidas denominadas em moeda estrangeira, dado o baixo nível de reservas internacionais do país.

Do início das negociações até agora, tanto o governo argentino quanto os credores vêm cedendo, mas ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que, na avaliação dos técnicos do órgão, há um “escopo limitado” para a Argentina aumentar os pagamentos aos credores privados. Este ponto foi mencionado por Guzmán na entrevista coletiva de ontem.

“Levemos em conta o comunicado que fez o FMI esta manhã, na hora de decidir as emendas finais. A margem que temos para alterar a oferta é escassa, o mesmo FMI disse que está ‘marginalmente abaixo’ do limite que permitiria restaurar a sustentabilidade da dívida.”

Ele disse que provavelmente depois de acertados os aspectos finais do acordo serão retomadas as negociações com credores privados e que o prazo de adesão à oferta deve ser prorrogado novamente uma vez que seja feita a alteração à proposta.