Apesar de popularização, Brasil não tem maturidade para uso de bitcoin

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São Paulo – Nos últimos meses, em meio à forte valorização do bitcoin, a busca por investimentos em criptomoedas tem aumentado, comentou o diretor da Binance no Brasil, Ricardo Da Ros, durante a Live CMA Mercados, transmitida hoje no Youtube. Ele avalia que o assunto tem se popularizado, porém, o mercado financeiro ainda não está “maduro” para o uso das moedas digitais.

“É um processo lento. Qualquer coisa nova atrai os aventureiros e quem tem tolerância ao risco maior. E tem também as pessoas com uma índole para tentar ganhar dinheiro em cima dos aventureiros. A gente já viu pirâmides, golpes em grande e pequena escala”, avalia Da Ros, acrescentando que a “maturidade do mercado” para o uso de bitcoins ainda é baixa, não apenas no Brasil.

“Mas vem crescendo. Com mais conteúdo, empresas e pessoas sérias oferecendo serviços e bastante pesquisa, isso tende a crescer. Estamos no caminho certo”, reforça.

O diretor da Binance acrescenta que a “popularização” do tema tem ajudado na procura pelo investimento, já que “mais bilionários” como o CEO da Tesla, Elon Musk, têm entrado no mercado. “Dá mais legitimidade às criptomoedas”, diz, destacando que, quando “pessoas próximas” fazem contato, é sinal de que há uma onda de crescimento no número de investidores, brinca.

“Cada vez que o preço sobe, uma quantidade grande de pessoas passa a investir. A alta da demanda, leva a alta de preço e vice-versa”, comenta. Ele avalia que as notícias relacionadas ao tema também contribuem para que mais pessoas tenham acesso ao mercado de criptomoedas. “Antes, a mídia só cobria criptos de maneira negativa. Agora, a mídia especializada e as notícias estão mais positivas em relação ao ativo. Isso ajuda”, diz.

INVESTIMENTO DE LONGO PRAZO

O investimento em criptomoedas, principalmente em bitcoins, deverá crescer nos próximos anos, projeta o diretor da Binance no Brasil, após o aumento da demanda pelo ativo durante a pandemia do novo coronavírus.

“O bitcoin é a principal criptomoeda, é a que tem valor monetário. O investimento é o trabalho de longo prazo”, comenta, acrescentando que a criptomoeda mais conhecida deverá se “valorizar muito” no longo prazo, mesmo com momentos de “alta e de baixa”.

Para Da Ros, o bitcoin ainda está “na infância”. Portanto, ninguém “perdeu o bonde” do investimento. “Para mim, toda hora é hora de investir. Em termos de estratégia, sempre é hora de comprar. Se subir demais, o investidor reduz o ritmo de compra. Se passar por uma correção, volta a comprar ou aumenta a quantidade”, sugere.

O diretor da Binance destaca que as criptomoedas têm uma volatilidade maior do que outros ativos e, por isso, algumas têm rentabilidade exacerbada. “Assim como ela pode subir rápido, ela pode cair rápido também. Pode cair pela metade em um dia. Eu acredito que, no longo prazo, a forte oscilação tende a diminuir”, pondera.

Em relação aos bitcoins, Da Ros recomenda aos novos investidores a compra gradual. “O investidor compra aos poucos e vai guardando. Não pense em quanto vai valer o bitcoin na semana que vem, daqui três meses. Pensa daqui três anos, daqui cinco anos”, reforça.

BANCOS CENTRAIS

O diretor da Binance comentou sobre o movimento de Bancos Centrais em criar moedas digitais. Segundo ele, em países como a China e os Estados Unidos, os estudos estão avançados para o desenvolvimento de criptomoedas que devem substituir as moedas tradicionais.

“Os BCs passaram a estudar tecnologias. O nosso Banco Central pode criar o ‘criptoreal’, por exemplo, e ter até mais controle sobre o uso. Mas há riscos, já que governos com perfil ditador podem silenciar vozes por meio do acesso financeiro. É um ponto de debate muito forte, de que governos não tenham poder sobre isso”, avalia.