Apesar da piora no cenário externo, Bolsa sobe e dólar cai em dia de forte volatilidade

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após passar a maior parte do pregão sem uma direção definida, oscilando entre altas e baixas, o Ibovespa acelerou ganhos no fim do pregão e fechou em alta de 0,45%, aos 104.817,40 pontos, com investidores vendo oportunidades de compra apesar da piora no cenário externo depois que uma delegação chinesa decidiu interromper sua visita aos Estados Unidos. O volume total negociado foi de R$ 23,3 bilhões.

Na semana, o índice subiu 1,27%, depois de chegar a atingir os 106 mil pontos e voltar a se aproximar do recorde histórico (106.650,12 pontos), refletindo cortes de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

No exterior, segundo agências de notícias internacionais, uma delegação chinesa que estava nos Estados Unidos para negociações comerciais cancelou uma visita em uma fazenda em Montana e decidiu voltar mais cedo, o que fez as bolsas norte-americanas acelerarem perdas.

“Não sei até que ponto um cancelamento de uma visita em fazenda agrícola afeta a negociação, mas o mercado no Brasil está bem comprador, mesmo nas notícias negativas os fundos locais seguram a onda”, afirmou o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

Entre as ações, as maiores altas ficaram com as da Braskem (BRKM5 5,30%), que reagiram à notícia de que a Odebrecht teria contratado o banco de investimentos Lazard para retomar a venda da sua parte na companhia. O dia também foi positivo para as ações de frigoríficos, como da JBS (JBSS3 4,25%) e Marfrig (MRFG3 4,46%), que têm se beneficiado de maior demanda da China em função de danos ao rebanho do país em função da gripe suína.

Os papéis de bancos foram outros que pesaram para a alta do índice, como os do Banco do Brasil (BBAS3 1,58%) e do Bradesco (BBDC4 1,76%).

Já as maiores quedas do Ibovespa foram da Eletrobras (ELET3 -5,78%; ELET6 -5,39%), que reagiram à declaração do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que disse ontem que a maioria dos senadores é contrária à autorização do projeto de privatização da estatal.

Na semana que vem, além de continuar acompanhando as negociações comerciais entre China e Estados Unidos, investidores devem acompanhar uma série de indicadores norte-americanos, além de esperarem a ata do Copom, que pode confirmar a expectativa de mais cortes de juros. Além disso, é aguardado o andamento da reforma da Previdência.

O dólar comercial fechou em queda de 0,26% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1530 para venda, em dia de forte oscilação chegando a romper o nível de R$ 4,18, em meio ao mau humor de investidores no exterior com os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Em semana importante, recheada de decisões de política monetária como o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 1,75% e 2,00%, além do Banco Central (BC) que reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 6,0% para 5,5% ao ano e sinalizar que deverá seguir com o afrouxamento monetário, a moeda estrangeira se valorizou em 1,59%.

O real, assim como várias outras moedas de países emergentes operaram sob forte pressão também pelo conjunto de fatos que vêm conduzindo a moeda à níveis máximos nas últimas sessões, comenta o analista da Correparti, Ricardo Gomes Filho. “Ou seja, as operações de recompra do Fed, além da queda da Selic, que provoca redução da atratividade dos investidores pela arbitragem de taxa de juros no Brasil”, avalia.

O dólar completa cinco semanas acima do patamar de R$ 4,00 e para o diretor da Mirae Asset, Pablo Spyer, o que poderá refletir na inflação nos próximos meses. “O mercado doméstico parece estar ignorando os potenciais efeitos que o dólar poderá ter na inflação. É preciso considerar que o efeito é defasado. E a curva futura de juros está muito baixa para um dólar ao redor dos níveis históricos, o que também vale para os motivos de corte da Selic”, comenta.

A próxima semana será de agenda econômica forte, com números aqui e no exterior. Entre os destaques, tem o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado pelo Banco Central (BC) com entrevista do presidente Roberto Campos Neto na sequência e novas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB).

Antes, porém, tem a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que, para Spyer, não deve trazer destaques e novidades, uma vez que o comunicado adiantou possível corte de juros na reunião em outubro. “O mercado deverá continuar explorando os próximos passos do Copom”, ressalta a equipe econômica do Bradesco. Além de monitorar os conflitos comerciais entre norte-americanos e chineses, às vésperas de mais uma rodada de negociações.

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