Governadores destacam fila em UTIs e urgência de vacinação contra covid-19

São Paulo – O sistema de atendimento hospitalar do Brasil está em colapso por causa da pandemia de covid-19, afirmou o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), a uma comissão do Senado, acrescentando que as filas de espera por leitos chegam a dezenas de milhares de pessoas.

“Estamos dentro de um colapso nacional na rede hospitalar. Nós não vamos para ele, nós já estamos. Neste instante, há uma fila gigante. Estou falando aí de milhares mesmo – 30 mil, 40 mil pessoas em todas as filas hospitalares por vaga de UTI e em alguns lugares também de leito clínico. Ou seja, gente morrendo sem respirador. O pulmão não funciona mais e ele não consegue ter o equipamento para auxiliar. Esse é um problema realmente grave”, afirmou.

No momento, mais de um terço dos estados brasileiros enfrenta taxas de ocupação de leitos de UTI superiores a 90%, e quase a metade deles apresenta ocupação igual ou maior a 85% – nível considerado crítico e indicativo de colapso iminente no sistema de atendimento.

Dias acrescentou que a possibilidade de um processo mais rápido de análise de vacinas contra a covid-19 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluído em lei sancionada ontem, é positivo para o combate à pandemia.

“O mais importante é colocar um rito mais célere para a Anvisa. Não é razoável você demorar o tempo que tem sido numa situação de calamidade, de pandemia”, afirmou, em audiência com uma comissão do Senado.

Ontem o presidente Jair Bolsonaro sancionou projeto de lei do Congresso que dispensa licitação e estabelece regras mais flexíveis para a compra de vacinas contra a covid-19 que estão em fase de desenvolvimento, antes mesmo do registro sanitário ou da autorização de uso excepcional e emergencial pela Anvisa.

A agência poderá emitir uma autorização excepcional e temporária para importação, distribuição e uso destas vacinas mesmo se os estudos clínicos de fase 3, que consistem em testes em larga escala das vacinas, não estiverem concluídos e houver apenas resultados provisórios.

O prazo para análise dessa autorização excepcional será de sete dias, desde que haja registro prévio por autoridades sanitárias estrangeiras no rol indicado no normativo.

As agências indicadas são as dos Estados Unidos, da União Europeia, do Japão, da China, do Reino Unido, do Canadá, da Coreia do Sul, da Rússia, da Argentina, da Austrália e da Índia, assim como outras autoridades sanitárias estrangeiras com reconhecimento internacional e certificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

AMAZONAS E VACINAÇÃO

A medida mais urgente a ser adotada para combater a pandemia de covid-19 é vacinar a população com mais de 60 anos e com comorbidades – ou seja, o público com mais chance de morrer por complicações causadas pela doença -, afirmou o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).

Segundo ele, 70% das pessoas que estão morrendo de covid-19 se encaixam neste grupo, e a vacinação ajudaria a evitar internações, abrindo espaço para o atendimento de outros segmentos da população nos hospitais.

Durante a audiência no Senado, ele disse esperar que a situação no Amazonas, primeiro estado brasileiro a enfrentar um colapso na rede hospitalar por causa do aumento no número de infectados pela covid-19, sirva de exemplo para os outros estados e para a população se conscientizar da necessidade de medidas que evitem a propagação da doença.

De acordo com Lima, as medidas de restrição à circulação de pessoas e ao funcionamento do comércio são importantes para diminuir a taxa de transmissão – que no Amazonas chegou a ser de 1,3 por pessoa contaminada e, depois da adoção das medidas, recuou para 0,87.

Ele ressaltou também que o tempo até se atingir o pico de óbitos foi de 18 dias, e que para voltar aos níveis anteriores a este pico foram necessários 30 dias.

“Imagino que [a situação do Amazonas] pode ser espelho para outros estados, entendendo a rapidez com que os casos evoluem, a taxa de transmissão, e acaba colapsando o sistema de saúde. Em alguns casos infelizmente isso aí vai ser inevitável”, afirmou.