Antes da pausa para o Natal, Bolsa e dólar sobem

São Paulo – O Ibovespa registrou alta consistente na sessão de hoje, antes da pausa para o Natal, mas não subiu o suficiente para evitar o primeiro saldo semanal negativo depois de sete semanas seguidas de avanço. O índice acelerou os ganhos a partir do início da tarde e testou a faixa dos 118 mil pontos acompanhando o bom humor dos investidores na Europa e nos Estados Unidos, mas cedeu parte dos ganhos na reta final do pregão e fechou em alta de 1,00%, aos 117.806,85 pontos, mas recuando 0,18% na semana.

O mercado brasileiro de ações foi puxado principalmente pelas ações da Petrobras, que acompanharam a alta dos contratos futuros de petróleo nos mercados internacionais.

A alta do índice marcou um pregão de liquidez reduzida no qual os participantes do mercado aguardavam um final amigável para a novela sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit, ao mesmo tempo em que reagiam à reabertura da fronteira francesa com a Inglaterra, que havia sido fechada depois da descoberta de uma nova cepa de coronavírus.

Com isso, os investidores relegaram a segundo plano as ameaças do presidente norte-americano em fim de mandato, Donald Trump, de melar o acordo selado entre democratas e republicanos em torno de um novo pacote de estímulo à economia dos EUA.

Na cena local, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), retirou da pauta de votação uma PEC que, se aprovada, elevaria em 1% as transferências da União aos municípios, com custo anual de R$ 4 bilhões ao Tesouro. Apesar do alívio momentâneo em termos fiscais, fica o desconforto com o descompromisso de deputados governistas que teriam votado a favor da PEC caso ela tivesse ido a plenário, com grandes chances de aprovação.

O dólar comercial fechou em alta de 0,71% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2000 para venda, no maior valor de fechamento desde 2 de dezembro (quando encerrou a R$ 5,2410), em sessão volátil e de forte amplitude à véspera do feriado prolongado de Natal. O movimento descolado do exterior refletiu o ajuste de posições por investidores locais e a adoção de cautela na reta final do ano. Com isso, a moeda engatou o quarto pregão de alta.

“Os players reforçaram posições na medida em que vários fatores contribuem para o aumento das incertezas, especialmente, locais. O fluxo de saída no mercado à vista e a demanda no mercado futuro em decorrência de compromissos externos e a maior inquietação com a possibilidade de rompimento do teto dos gastos públicos no início de 2021 são uma realidade”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Em semana mais curta, a moeda subiu 2,28%, na maior alta percentual semanal desde o fim de setembro. A equipe econômica do banco Fator reforça que a semana foi dominada pelo receio com o coronavírus, em meio à identificação de uma nova variante que se espalha pelo Reino Unido, e pelas notícias sobre a vacina no mundo todo.

“Aqui, ênfase para a complacência do mercado frente à incompetência do governo em relação às questões fiscais, tema tão prometido e agora, submetido às conveniências do centrão com as eleições dos presidentes das casas legislativas”, reforça a equipe do Fator. Para os analistas da XP Investimentos, daqui para janeiro, as atenções se concentram nas disputas pela presidência da Câmara dos Deputados e do Senado.

O analista da Toro Investimentos, Daniel Herrera, ressalta que o movimento iniciado no fim da semana passada é de ajuste. “Como o dólar se aproximou dos R$ 5,00 [na semana passada], acabou criando um pouco de resistência para romper esse patamar”, avalia.

Na próxima semana, a última de 2020 e também mais curta, deverá ser de volume de negócios reduzido. O economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli, aposta em alívio no dólar. “Será uma semana esvaziada de indicadores. Então, as atenções se voltam às notícias, principalmente, lá de fora”, destaca.

Descolado do dólar comercial, as taxas dos contratos futuros de juros (DIs) encerraram a sessão em queda. O dia foi de baixo volume devido ao período de festas e, além disso, notícias políticas também ajudaram no desempenho das taxas hoje. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), retirou da pauta de votação uma PEC que, se aprovada, elevaria em 1% as transferências da União aos municípios.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 encontrava-se a 2,865%, de 2,890% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,215%, de 4,30%; o DI para janeiro de 2025 estava em 5,74%, de 5,86%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,55%, de 6,66%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano terminaram a sessão sem uma direção comum em meio a dados que sugerem que a recuperação econômica permanece desigual e à ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de vetar o pacote de ajuda aprovado pelo Congresso.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,38%, 30.129,83 pontos

Nasdaq Composto: -0,29%, 12.771,11 pontos

S&P 500: +0,07%, 3.690,01 pontos