Analistas veem riscos em Hapvida e ação cai 17%

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Divulgação/Hapvida

São Paulo – As ações da companhia (HAPV3) apresentaram recuo de 16,58%, a R$ 6,54 e foram a maior queda do Ibovespa no pregão desta terça-feira. Os analistas apontaram riscos após a companhia apresentar números abaixo das projeções do mercado.

Os analistas da Ativa Investimentos afirmaram que a Hapvida teve um resultado trimestral fraco e abaixo das estimativas. O mau desempenho é reflexo dos altos custos assistenciais no período, somado à pressão no ticket-médio, o que acabou impactando as margens da cia. A piora no resultado financeiro é reflexo do aumento da Selic e do maior endividamento da cia., cuja alavancagem se encontra em 2,8 vezes, detalhou a análise.

Para a Genial Investimentos, as maiores preocupações se concentram em dois pontos: adições orgânicas fracas e sinistralidade muito elevada, que fechou em 76,9% vs. 76,2% esperada. As despesas administrativas cresceram acima das estimativas por conta da contabilização das despesas com plano de opções que passaram a ser consideradas a partir deste trimestre (impacto de R$ 116m) e pelo dissídio dos funcionários.

“Em vista de um resultado fraco, um cenário econômico conturbado, pouca visibilidade de crescimento orgânico no curto prazo, um longo caminho a percorrer até a normalização de margens/sinistralidade e da captura de sinergias, estamos mudando nossa recomendação para Manter, com redução do preço-alvo para R$ 8, já incorporando um custo de capital mais elevado generalizado”, detalhou a Genial.

A companhia divulgou ontem o balanço do primeiro trimestre de 2022. O lucro líquido ajustado foi de R$ 78,1 milhões, queda de 69,9% em relação ao mesmo período de 2021. O Ebitda ajustado foi de R$ 414 milhões, recuo de 11,3% na base anual. Já a margem Ebitda ajustada atingiu 8,6%, queda de 11,5 p.p. frente a margem registrada no primeiro trimestre de 2021. A receita líquida somou R$ 4,84 bilhões, alta de 108,4%.

Os números do primeiro trimestre trazem o consolidado da combinação de negócios com Notre Dame Intermédica, contabilizando fevereiro e março da companhia junto aos dados trimestrais da Hapvida.

Em seu balanço, a companhia informou que o ticket-médio foi impactado pelo reajuste negativo dos planos individuais, pelo mix de vendas novas e pelo ticket-médio mais baixos de empresas adquiridas.

Em teleconferência na manhã de hoje, diretores da companhia acreditam em uma recuperação no segundo trimestre. A Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) vai autorizar em breve um reajuste nas mensalidades. A previsão é uma alta de 15% nos planos de saúde individuais e familiares, para suprir o aumento das despesas assistenciais das operadoras.

Além do aumento da receita com os reajustes, a Hapvida também destacou a queda expressiva no número de atendimentos no mês de março. O primeiro trimestre foi impactado pelo combate a casos de Covid-19 causados por uma terceira onda da pandemia, concomitante com uma epidemia de influenza, aumentando substancialmente a demanda por atendimentos de urgência e consultas por telemedicina.

“Felizmente, na medida em que vínhamos nos aproximando do fim do trimestre, vimos os principais indicadores relacionados à pandemia apresentando forte redução. O volume diário de atendimentos nas urgências e emergências, que chegou a passar de 20 mil, caiu para cerca de quatro mil”, reportou a companhia.