Alta de 15% em planos de saúde individuais em 2022 favorece Hapvida, diz BTG Pactual

Divulgação/Hapvida

São Paulo – O BTG Pactual estima que os planos de saúde individuais terão reajuste de até 15% em 2022, o que configura o maior aumento dessa categoria de planos, já que supera a alta de 13,57% em 2016, a maior já registrada e após reajuste foi negativo, de -8,19%, no ano passado. Esse cenário favorece a Hapvida, segundo análise do banco de investimentos.

Os analistas avaliaram os dados mais recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), relativas aos dados do setor de saúde suplementar de janeiro a setembro de 2021, e fatores como o aumento das despesas médicas, a inflação e ganhos de eficiência do setor. Eles destacam que os planos de saúde individuais representam 18% dos planos privados do país e que a ANS limita os aumentos anuais de preços e proíbe a rescisão unilateral de contratos pela operadoras de saúde neste tipo de contrato.

O aumento de preços deste ano deve normalizar a dinâmica anormal de preços de 2021, quando a ANS estabeleceu redução de preço mínima de 8,19% em 2021, após vários aumentos em anos anteriores (2020, + 8,14%, 2019 + 7,35% 2018 + 10%). “A redução no ano passado refletiu a baixa anormal de frequências em 2020, quando muitos procedimentos eletivos foram adiados na primeira onda da Covid-19 no Brasil. Por outro lado, as despesas médicas dispararam em 2021 e a a base de clientes de planos individuais encolheu, por isso, esperamos fortes aumentos de preços para o ciclo de 2022”, explicam os analistas Samuel Alves, Yan Cesquim e Pedro Lima, em relatório divulgado em 10
de janeiro.

Mais especificamente, os sinistros médicos desse tipo de plano de saúde cresceram 21% ao ano nos 9M21. Assumindo um aumento anual de 12,5% no 4T21, a elevação dos custos em 2021 deve chegar a 17,5% (o que tem um peso de 80% na equação da ANS), enquanto a inflação medida pelo IPCA excluindo o setor de saúde foi de aproximadamente 11% no ano passado, o que representa um peso de 20% nos cálculos de reajuste da agência reguladora).

“Assim, assumindo um fator de eficiência de 0,3%, estimamos que o próximo aumento de preço para os planos de saúde para Pessoa Física será de 15%, o que deve apresentar o maior aumento de preços já registrado após o primeiro corte de preços para planos individuais em 2021”, estima o relatório.

A decisão da ANS sobre o reajuste dos planos de HC Individual costuma ocorrer no meio do ano, quando também é aprovado pelo Ministério da Economia. Uma vez implementado, o aumento de preços é válido de maio a abril do ano seguinte.

Neste cenário, o banco avalia que a Hapvida leva vantagem, já que tem 23% de sua base de membros em planos individuais, ou 17,5% considerando a fusão com a Intermédica, e que outros grandes players nacionais de saúde não vendem mais este tipo de plano ou não têm grande exposição a eles, como é o caso da SulAmérica (com 5% da sua base em planos individuais) e Bradesco Saúde (3%).

“Embora acreditemos que a recente fraqueza do preço das ações já considera os aspectos negativos relacionados ao aumento de casos de Covid-19 e influenza, vemos a ação negociada em um nível muito mais atrativo, que não inclui as sinergias futuras. Portanto, a Hapvida continua sendo nossa favorita para 2022, considerando as sinergias operacionais e fiscais da fusão com a Intermédica, estimadas em R$ 30 bilhões em valor presente líquido), sinergias de receita e potenciais novas fusões e aquisições”, finalizaram.