Alta da Bolsa perde força, mas não impede novo recorde com aprovação da Previdência

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Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,15%, aos 107.543,59 pontos, renovando o recorde de fechamento pelo terceiro dia seguido na esteira do otimismo com a aprovação da reforma da Previdência no Senado. A expectativa de que a agenda de reformas siga adiante e a ausência de novidades sobre a guerra comercial, o que mantém o cenário externo mais tranquilo, ajudaram o índice a se sustentar no campo positivo.

Mais cedo, o Ibovespa chegou a mostrar leve queda após a votação de destaques da Previdência, mas voltou a subir e superou a máxima histórica intradiária que havia sido batida ontem, atingindo a máxima de 107.958,82 pontos. O volume total negociado hoje foi de R$ 17,5 bilhões.

Embora a aprovação da reforma já fosse esperada, o que poderia fazer com que valesse a máxima de que a Bolsa “sobe no boato e cai no fato”, investidores têm se mantido animados. “Com a concretização da Previdência, o governo deve se concentrar em outras reformas e pode ter força política. Ainda vemos montagem de posições em alguns setores, como os ligados a infraestrutura, ainda há oportunidades na Bolsa”, disse o sócio da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo.

O texto principal da reforma da Previdência foi aprovado ontem pelo Senado por 60 votos a 19. O Senado ainda aprovou hoje o destaque do senador Humberto Costa (PT-PE), sobre a aposentadoria por periculosidade, já o destaque proposto pela Rede foi rejeitado. Com isso, a tramitação da reforma foi encerrada e ela será promulgada pelo Congresso até o dia 19 de novembro.

Entre as ações, as de bancos tiveram um dia positivo na esteira da aprovação da reforma e ajudaram a sustentar a alta do Ibovespa, caso dos papéis do BTG Pactual (BPAC11 4,20%) e do Santander (SANB11 2,09%), que ficaram entre as maiores altas do índice. Ainda entre as maiores altas ficaram as ações da Weg (WEGE3 4,45%), que refletiram dados trimestrais positivos, da BR Distribuidora (BRDT3 2,36%) e da Sabesp (SBSP3 2,60%).

Na contramão, as maiores quedas foram das ações do setor de educação, como da Yduqs (YDUQ3 -3,78%), que devolveu parte da alta dos últimos dias depois da compra da Adtalem, da Cogna (COGN3 -3,24%) e da Marfrig (MRFG3 -3,12%).

Amanhã, as atenções dos investidores deve se voltar para a temporada de balanços, com resultados de peso devendo ser divulgados, como os da Petrobras e da Vale. Além disso, a agenda de indicadores no exterior volta a ficar um pouco mais cheia, com dados como os de seguro-desemprego nos Estados Unidos.

“Podem vir alguns balanços positivos e algumas surpresas, a Petrobras, por exemplo, tem se recuperado, mas acredito que serão exceção, a média pode vir dentro do esperado, até porque o semestre não está sendo de bonança e o mundo está desacelerando”, disse o sócio e head de produtos da Monte Bravo, Rodrigo Franchini. Além do foco nos balanços, Franchini destaca que o mercado quer começar a ver a melhora de indicadores, cobrando a equipe econômica por medidas que se reflitam na economia real no curto prazo, passada a reforma da Previdência.

O dólar comercial fechou em queda de 0,98% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0360 para venda, no menor valor desde 21 de agosto quando encerrou a R$ 4,0310, refletindo o bom humor local dos investidores após a tão esperada aprovação da reforma da Previdência. Os trâmites foram concluídos hoje à tarde após análise e votação de destaques pendentes do texto.

Depois de oscilar sem rumo único na abertura dos negócios, digerindo a aprovação da reforma ontem à noite no plenário do Senado, os resultados menos otimistas de balanços corporativos e acompanhar os desdobramentos do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), o dólar passou a cair e renovar mínimas sucessivas ao longo da tarde, chegando à mínima de R$ 4,0310 (-1,10%).

“Além da aprovação da reforma, com a garantia de economizar R$ 800 bilhões em dez anos, houve entrada de fluxo de capital estrangeiro, o que ajudou no fortalecimento do real”, comenta o gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek. Uma vez aprovada, agora a Previdência segue para promulgação, que deve ocorrer em novembro, quando o presidente Jair Bolsonaro retorna ao País após viagem à Ásia.

Amanhã, na agenda de indicadores, tem a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), seguida da última entrevista coletiva do atual presidente, Mario Draghi, que se despede do cargo na próxima semana. Além de dados preliminares dos índices de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro.

Para o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante, o dólar poderá manter o viés de queda amanhã, dando continuidade a desvalorização da divisa estrangeira frente ao real que chega a 2,4% em dois dias na esteira do bom humor com a aprovação da Previdência.

Porém, alerta para os eventos na próxima semana. “Acredito que mantenha o viés de queda, mas deve voltar a subir na sexta-feira em cautela com o fim de semana. O investidor não gosta de ficar exposto no fim de semana. No domingo, tem eleição na Argentina e na próxima semana tem reunião do Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] e do Banco Central daqui”, reforça.