AIE corta previsão de demanda de petróleo; impulso por vacina está longe

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São Paulo – A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo sua previsão de demanda global de petróleo para 2020, devido aos avanços de casos de covid-19 na Europa e nos Estados Unidos, e afirmou que os benefícios de uma vacina devem demorar a chegar aos mercados petrolíferos.

A agência prevê queda de 8,8 milhões de barris por dia (bpd) este ano em relação a 2019, para 91,3 milhões de bpd, após a projeção de queda de 8,4 milhões de bpd do relatório anterior, de agosto. Para 2021, a projeção é de alta de 5,8 milhões de bpd na demanda, para 97,1 milhões de bpd, ante previsão anterior de 5,5 milhões de bpd.

“Dados históricos fracos e o ressurgimento da covid-19 na Europa e nos Estados Unidos nos levaram a revisar nossa demanda global de curto prazo”, de acordo com a AIE.

“Uma vacina contra a covid-19 dificilmente virá em socorro do mercado global de petróleo por algum tempo”, segundo o relatório. “É improvável que as vacinas aumentem significativamente a demanda até o próximo ano”.

A agência também cortou as previsões de demanda no terceiro e quarto trimestres de 2020, assim como para o primeiro trimestre de 2021. “Quase todas essas reduções maciças são encontradas nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, segundo o relatório.

“Para o mundo fora da OCDE, na verdade aumentamos nossas estimativas de demanda principalmente devido à melhora das expectativas na China e na India”.

PRODUÇÃO

Já a produção global de petróleo este ano, excluindo os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), deve cair 1,3 milhão de bpd. Para 2021, a oferta deve subir em 200 mil bpd.

Em outubro, o fornecimento global da commodity aumentou em 200 mil bpd, para 91,2 milhões de bpd, uma vez em que a produção dos países da Opep e seus aliados, grupo conhecido como Opep +, ficou amplamente estável, com cumprimento de 103% do acordo de corte de oferta.

“Em novembro, a oferta mundial de petróleo pode aumentar em mais de 1 milhão de bpd, à medida que os Estados Unidos se recuperam dos furacões e a Líbia continua a se recuperar”, segundo a AIE.

Para a AIE, a combinação de demanda mais fraca e oferta crescente de petróleo fornece um cenário difícil para a reunião da Opep + que deve ocorrer em primeiro de dezembro.

“Nossos saldos atuais, incorporando o aumento da quota de 2 milhões de bpd incluída no acordo de fornecimento da Opep +, implicam uma variação de estoque quase zero no primeiro trimestre de 2021”, diz. “A menos que os fundamentos mudem, a tarefa de reequilibrar o mercado progredirá lentamente.”