Acordo de Brexit com UE é possível sem backstop, diz Johnson

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que ainda é possível chegar a um acordo para o Brexit com a União Europeia (UE) caso a solução “backstop” na fronteira irlandesa seja retirada, mas que é preciso de preparar para uma saída abrupta.

“Estamos prontos para trabalhar com nossos amigos e parceiros para obter um acordo. Mas se você quer um bom acordo para o Reino Unido, você deve se preparar simultaneamente para sair sem um”, disse Johnson, em uma mensagem no Twitter.

Ontem, ele enviou uma carta ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, reiterando que está disposto a fazer um acordo com a UE, mas sem o mecanismo conhecido como “backstop”, que mantém a Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, temporariamente no bloco europeu para evitar uma fronteira física com a Irlanda.

“O tempo é muito curto. Mas o Reino Unido está pronto para avançar rapidamente, e dado o grau de consenso, espero que a UE esteja pronta para fazer o mesmo. Estou igualmente confiante de que o nosso Parlamento poderá agir rapidamente se conseguirmos chegar a um acordo satisfatório que não inclua o ‘backstop'”, disse Johnson, na carta.

Segundo ele, o mecanismo é “antidemocrático e inconsistente com a soberania do Reino Unido como um estado”. Johnson destacou que a opção “bloqueia o Reino Unido, potencialmente indefinidamente, em um tratado internacional que nos unirá em uma união aduaneira e que se aplica a grandes áreas da legislação do mercado único na Irlanda do Norte”.

Por fim, Johnson disse que é preciso encontrar outras soluções flexíveis e criativas. O impasse sobre o “backstop” foi um fator chave nas sucessivas derrotas do plano para o Brexit da ex-premiê britânica, Theresa May, no Parlamento, o que levou à sua renúncia.

Desde sua eleição, no final de julho, Johnson tem prometido entregar o Brexit no prazo atual de 31 de outubro, com ou sem acordo. Esta semana, ele se reúne com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e depois com o presidente da França, Emmanuel Macron, para discutir o Brexit. 

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