Ações sobem após notícias sobre venda de ativos da Petrobras

Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). (Foto: André Valentim/Agência Petrobras)
Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). (Foto: André Valentim/Agência Petrobras)

São Paulo – As ações das Petrobras, PetroRio e Ultrapar sobem após notícias relacionadas à venda dos ativos da estatal. Às 16h24 (horário de Brasília), perto do fechamento, as ações de todas as empresas estavam em alta, com PetroRio (PETR3) em vantagem, subindo mais de 4%, enquanto as preferenciais Petrobras (PETR4) tinham alta de 2,24%, Ultrapar (UGPA3) avançava 2,17% e as ordinárias da estatal (PETR3) cresciam 1,45%.

Os analistas avaliam positivamente o fim das negociações entre a Petrobras e Ultrapar sobre a venda da refinaria Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), anunciado hoje pelas empresas, sem chegar a um acordo, considerando que, apesar das sinergias que seriam alcançadas, poderia trazer resultados negativos.

Os analistas do BTG Pactual esperavam uma reação negativa para Petrobras e positiva para a Ultrapar, apesar de terem argumentado por muito tempo que seria positivo para a empresa adquirir uma refinaria para se tornar um player integrado. “Em última análise, os riscos de se tornar um único player privado no sul do Brasil (a refinaria está localizada em Canoas, RS) eram muito altos e, sem dúvida, não justificam as fusões e aquisições”, comentaram.

A Ativa Investimentos acredita que o momento não é ideal para a operação, apesar de criar sinergias para Ultra em Ipiranga, Cargo e GLP. “Entendemos que o momento não é propício para se realizar investimentos que possivelmente passariam da casa do bilhão de dólares num setor localizado no centro das discussões nacionais e envolto a pressões de custo que extrapolam as discussões políticas que o envolvem”, comentou.

Os analistas consideram que o evento é relativamente positivo para as companhias, avaliando que a Ultrapar seguirá observando oportunidades dentro do programa de desinvestimentos da Petrobras bem como outras opções para alocar os recursos obtidos com a venda da Extrafarma e da Oxiteno, enquanto a estatal, após a venda das refinarias Landulpho Alves e Isaac Sabbá por valores contestados por parte do mercado financeiro e pela classe política, encerra a tratativa num momento onde dificilmente conseguiria um valuation próximo à US$ 1,5 bilhão, montante que consideram justo pela Refap.

ALBACORA

Já em relação às ofertas pelos campos de Albacora e Albacora Leste, na Bacia de Campos, em que a Petrobras avalia propostas dos consórcios PetroRio/Cobra e Enauta/3R Petroleum/EIG Global, que ultrapassam US$ 4 bilhões, segundo a Petrobras, o BTG Pactual vê o negócio favorável para a PetroRio em
relação aos concorrentes.

“A aquisição de ambos os ativos ou de apenas um deles vem muito em linha com a estratégia da empresa, razão pela qual acreditamos que o mercado tem reagido positivamente a esta possibilidade, somente Albacora poderia adicionar R$20 por ação”, comentaram os analistas.

Por fim, para a Petrobras, eles argumentam que, embora a venda possa contribuir para a desalavancagem da empresa, maior foco no desenvolvimento de áreas do pré-sal e para aumentar seu poder de fogo de dividendos, ela deve continuar com desempenho inferior e, portanto, mantém recomendação neutra para a ação, e de compra para PetroRio.