Ações de construtoras sobem após nova linha da Caixa; MRV e Cyrela avançam 6%

Por Danielle Fonseca

São Paulo – As ações do setor de construção têm fortes altas hoje após a Caixa Econômica Federal anunciar ontem uma nova linha de crédito imobiliário com custo indexado ao Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Entre os destaques do segmento estão as ações da MRV e da Cyrela, que estão entre as maiores do Ibovespa hoje.

foto: Diego Dantas

Às 15h12 (horário de Brasília), os papéis da Cyrela (CYRE3) subiam 6,91%, a R$ 24,91 e as da MRV (MRVE3) avançavam 6,57%. Outras ações do setor
também subiam, como da Rossi (RSID3 10,20%) e da PDG (PDGR3 2,57%).

A MRV disse, em comunicado, que a nova modalidade de financiamento imobiliário anunciada pelo governo apresenta uma “excelente oportunidade de expansão mercadológica” para a empresa. A MRV ressaltou ainda que as taxas dessas novas opções implicarão em uma significativa melhora na acessibilidade do mutuário final, chegando a permitir uma renda de até 38,8% menor que a opção de financiamento anterior e até 19% menor que o Minha Casa, Minha Vida faixa 3.

Já na avaliação do Bradesco BBI o novo modelo de financiamento imobiliário anunciado ontem pela Caixa Econômica Federal, que varia entre IPCA2,95% e IPCA + 4,95%, é positivo para o segmento de média-alta renda. O menor patamar da oferta, de IPCA + 2,95%, será oferecido apenas aos clientes da Caixa que são funcionários do setor público, enquanto a taxa fixa mínima para clientes bancários do setor privado foi fixada em 3,25%. Já a taxa de 4,95% é para quem não tem relação com o banco.

Os analistas do BBI ponderam, no entanto, que embora as projeções de inflação indiquem um IPCA controlado e decrescente no futuro, o que reduz riscos no curto e médio prazo, não se pode “descartar um risco inflacionário de longo prazo no Brasil, o que impactaria negativamente os saldos pendentes”.

O economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa, também ressalta que financiamentos longos indexados à inflação podem preocupar em um país com histórico de inflação como o Brasil. Porém, acredita que pode ser positivo para o setor ter mais opções de financiamento, diante das dificuldades que as construtoras enfrentaram com a desaceleração da economia e redução do crédito. “Acredito que é uma opção que se coloca na mesa, para depois avaliar melhor seu efeito”, afirmou.

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