Ações da Oi sobem, mas seguem abaixo de R$ 1 por 3 dias; Itaú BBA reitera compra

Por Danielle Fonseca

São Paulo – As ações ordinárias da Oi, que possuem maior liquidez, esboçam uma recuperação depois de fortes quedas recentes e chegaram a subir mais de 9% hoje. Na avaliação dos analistas do Itaú BBA, a forte baixa do papel vista desde o final da semana passada não se justifica e reiteraram a recomendação de “outperform” (equivalente à compra) em relatório divulgado hoje.

Divulgação: telecom Oi

Só na última terça-feira (20) as ações caíram 27% depois de rumores de que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) poderia intervir na operadora, que mostrou prejuízo no balanço divulgado na semana passada e tem queimado caixa. Ainda há problemas na gestão, com alguns acionistas pressionando pela troca do presidente da operadora.

Depois dessa queda, o papel passou a ser negociado abaixo de R$ 1,00, o que acende o alerta da B3, que pode notificar a companhia para que adeque a cotação depois de 30 pregões consecutivos sendo negociadas abaixo desse valor, em um processo que poderia culminar com a deslistagem da companhia.

Apesar de o baixo valor do papel ter atraído algumas compras, levando a altas ontem e hoje, a ação continua sendo negociada abaixo de R$ 1,00 por três dias seguidos. Às 16h45 (horário de Brasília), as ordinárias (ORBR3) subiam 6,49%, a R$ 0,81, enquanto as preferenciais (OIRB4) avançavam 4,68%, a R$ 1,34.

De acordo com o Itaú BBA, porém, a queda de 47% nos últimos cinco pregões não pode ser justificada pelas últimas informações divulgadas,
sendo que há potenciais gatilhos positivos à frente. “Acreditamos que o mercado pode ter interpretado mal considerações já conhecidas relacionadas às alternativas da Oi para aumentar caixa citadas em teleconferência de resultados”, disseram os analistas, em relatório. “Ao mesmo tempo, há pelo menos três gatilhos positivos, cujas materialização podem facilitar e acelerar potencialmente uma virada para a companhia”, completaram.

Entre esses gatilhos, citam a venda de ativos não-essenciais, com a companhia estimando potencial de R$ 6,5 a 7,5 bilhões com essas vendas. O Itaú também não descarta uma venda da divisão móvel da operadora, embora ela não esteja listada entre os ativos à venda. A estimativa é que a área valeria R$ 8,6 bilhões.

Os analistas ainda estimam que a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC 79), que traz mudanças para o setor de telecomunicações, pode adicionar um valor de R$ 0,50 à ação da Oi.

“Na nossa visão, o limitado potencial de novas quedas devido ao selloff
recente e os potenciais gatilhos oferecem uma oportunidade favorável de risco para investidores, suportando nossa recomendação de outperform”, disseram ainda, embora o preço-justo para os papéis tenha sido reduzido de R$ 2,00 para R$ 1,00 por ação.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com