Ações da Localiza e Unidas disparam com possível aprovação de fusão pelo Cade

Analistas avaliam, agora, os impactos dos eventuais remédios recomendados pela autarquia no segmento de alugueis. Veja:

Foto divulgação: Localiza

São Paulo – As ações das locadoras de veículos Localiza e Unidas (Locamerica) operam com forte alta e mostram as maiores valorizações do Ibovespa após a superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendar a aprovação da fusão entre as companhias, embora com a adoção de remédios que mitiguem riscos concorrenciais. A análise, agora, segue para o tribunal da autarquia, que deve anunciar seu parecer final no dia 6 de outubro.

Para analistas, é preciso considerar os remédios propostos, mas eles não devem apagar os benefícios que devem ser trazidos com a fusão, ainda mais diante do receio de que ela sequer pudesse ser recomendada.

Às 11h54 (horário de Brasília), as ações da Localiza (RENT3) tinham alta de 7,63%, a R$ 59,68, enquanto os papéis da Unidas (LCAM3) avançavam 6,66%, a R$ 26,57. Perto da abertura os papéis chegaram a subir mais de 10%.

Para os analistas do Goldman Sachs, Bruno Amorim e João Frizo, a notícia é positiva já que dá alguma visibilidade sobre uma potencial aprovação com remédios, o que já foi parcialmente antecipado pelo mercado.

“Nenhum remédio foi sugerido para os segmentos de aluguel de frotas e de venda de carros usados, como o esperado pelo mercado, e nós notamos que a proposta de venda de ativos no segmento de aluguel de veículos pode ser ofuscada no longo prazo pela aquisição de carros e abertura de novas lojas”, avaliaram, em relatório.

Além disso, os analistas afirmam que as ações da Localiza estão negociando em um patamar atrativo e que acreditam que a operação, se concluída, pode gerar sinergias. O banco possui recomendação de compra para as ações da Localiza.

Para os analistas do BTG Pactual, a recomendação também é um sinal positivo, conforme muitos investidores estavam esperando até uma possível desaprovação da fusão, devido a recentes notícias na imprensa. No entanto, lembram que o processo de avaliação ainda não acabou.

Os analistas ainda destacam que o parecer da superintendência do Cade aponta que os remédios devem envolver 136 cidades e 38 aeroportos, além de explicar que deve ser necessária a combinação de ativos no segmento de aluguel de veículos para mitigar a concentração de mercado.

“O Cade diz que o pacote de desinvestimentos negociado pelas duas companhias torna factível a entrada de um terceiro player. Essa é a principal questão, já que o perfil de um terceiro player não está claro ainda”, ressaltaram.

Segundo os analistas, não está descartada a entrada de uma empresa fora do setor, como um player financeiro, mas segundo o relatório do Cade, qualquer novo competidor deve deve adquirir pelo menos 20 mil veículos, com participação de mercado da indústria de menos de 10% (tornando-se assim um novo, terceira força no segmento, atrás da Movida – que não vemos comprando esses ativos devido ao maior grau de sobreposição).

“Portanto, a empresa que será resultado da fusão terá uma participação de mercado de aluguel de veículos de 40% a 50% após uma possível aprovação com remédios pelo Cade”, avaliaram ainda.

Os analistas do Bank of America (BofA), por sua vez, viram o relatório do Cade como “razoável e equilibrado” ao propor remédios, mas ainda foi melhor do que o mercado esperava.

“Acreditamos que investidores estavam esperando uma remota chance de aprovação da fusão. Apesar do tom sóbrio do Cade, esperamos uma reação positiva. Nós reiteramos compra e o preço-alvo de R$ 78,00”, disseram, em relatório.

Na avaliação do banco, os remédios propostos, incluindo a possível criação de um terceiro concorrente considerável no mercado brasileiro de aluguel de veículos, são razoáveis e não restringem totalmente os benefícios da transação.