Ação da Equatorial salta 7% após compra da CEEE-D, mas analistas veem desafio

Foto: Alain Schroeder/União Europeia

São Paulo – As ações da Equatorial mostram forte alta e estão entre as maiores valorizações do Ibovespa após a empresa ser a única a fazer uma oferta pela Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D), em leilão das ações da companhia gaúcha hoje na B3.

A Equatorial arrematou 65,87% do capital social da CEEE-D por apenas R$ 100 mil. Porém, apesar da reação positiva do mercado, analistas destacam que a aquisição traz desafios, devido aos problemas enfrentados pela distribuidora, que tem dívidas e vinha mostrando ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) negativo.

Às 11h57 (horário de Brasília), os papéis da Equatorial (EQTL3) tinham alta de 7,03%, a R$ 24,53.

Os analistas do BTG Pactual, lembram que a CEEE-D, responsável pela distribuição de energia em 72 municípios do estado do Rio Grande do Sul (1,7 milhões de pessoas), não cumpriu alguns indicadores econômicos financeiros, o que fez a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciar o processo de revogação da sua concessão. A empresas é a pior distribuidora no ranking de qualidade da agência e a privatização era a única forma de evitar a revogação.

O BTG ainda cita, que de acordo com as consultorias Ernst & Young e Minuano Energia, o valor da CEEE-D é de R$ 3,8 bilhões, mas deduzindo a dívida líquida e contingências, o valor de mercado estimado é negativo em R$ 1,9 bilhão. Como solução, o edital do leilão propõe um aumento de capital pela CEEE Participações de R$ 3,36 bilhões, o que aumentará o valor de mercado para R$ 1,46 bilhão, estabelecendo o valor de outorga inicial de R$ 50 mil.

Os analistas avaliam que a concessão “têm muitos desafios”, por isso, não atraiu mais ofertas. Além disso, acreditavam que a CPFL Energia faria uma oferta junto com a Equatorial e poderia ter maior sinergia que a companhia vencedora, já que já opera na região.

Os analistas do Credit Suisse também destacam que devido ao elevado nível de contingências trabalhistas, civis e fiscais e à localização desta unidade (extremo sul do País) já não eram esperados lances agressivos no leilão.

Segundo os analistas, a CEEE-D tem apresentado ebitda negativo nos últimos anos (-R$ 421 milhões em 2019), significativamente abaixo do nível regulatório de R$ 438 milhões, mas prevê que os níveis de ebitda podem chegar a R$ 470 milhões até 2024 se a empresa atender aos parâmetros regulatórios de custos da mesma forma que os players eficientes fazem.

“Embora o lado positivo final pudesse ser melhorado, com melhores condições de alavancagem, provisões ainda mais baixas e mais eficiências, nosso time vê a aquisição como um desafio”, disseram, em relatório.