Ação cai após custos elevados no 2T21, mas Fleury pretende ir às compras

São Paulo, 30 de julho de 2021 – O aumento de custos ofuscaram dados positivos no balanço do segundo trimestre do Fleury, segundo analistas do Bank of America (BofA) e da XP Investimentos. Às 13h29 (horário de Brasília), as ações da companhia (FLRY3) recuavam 2,61%, a R$ 23,44, reagindo aos dados.

“O Fleury apresentou forte receita líquida de R$ 932 milhões, batendo a nossa expectativa e o consenso do mercado em 9% e 2%, respectivamente, impulsionado pela aceleração nos procedimentos eletivos juntamente com o atendimento domiciliar ao cliente crescendo 40% no trimestre”, afirmaram os analista do BofA, em relatório.

No entanto, eles afirmam que os números foram ofuscados por custos dos produtos vendidos de R$ 675 milhões, que cresceram 50% na comparação anual, e por despesas gerais e administrativas, que também tiveram alta maior do que o esperado, de cerca de 45% na base anual. Com isso, o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou 4% abaixo do esperado pelo
banco.

Para os analistas do BofA, o segmento de diagnósticos deve seguir sob pressão e é provável uma maior competição de hospitais que estão internalizando as operações de laboratório. Porém, acredita que a empresa ainda deve sentir impacto positivo do retorno de procedimentos eletivos e exames de covid-19, que têm maior ticket e margens.

Os analistas da XP Investimentos também apontaram resultados mistos da companhia, com a surpresa positiva do crescimento de receita, compensada por margens mais baixas devido a custos mais altos. Segundo os analistas, os custos foram impactados por expansão do atendimento domiciliar, materiais, como produtos farmacológicos para os serviços de terapia de infusão e equipamentos
de proteção individual, e ocupação.

Essa pressão de custos resultou em uma margem ebitda ajustada de 27%, menorem 5,2 ponto percentuais no trimestre e 4,6 pontos percentuais abaixo das estimativas da XP.

Do lado positivo, citaram a receita da Saúde ID e de outros negócios, que afirmam que está em ritmo de crescimento bastante expressivo, mas ainda representa uma pequena parcela do resultado da companhia – 4%.

“Reiteramos nossa recomendação neutra para a companhia, já que – embora crescente – o resultado de novos negócios ainda é pequeno e estamos cautelosos quanto à pressão nas margens”, afirmaram, em relatório.

AQUISIÇÕES

O Fleury segue com apetite para fusões e aquisições e afirmou que tem uma alavancagem confortável para sustentar esse movimento, que pode ser de aquisições tanto no setor de diagnósticos (seu negócio principal), como em outras áreas em que está estudando e já avançando, para diversificar o negócio e elevar receita.

“Temos conforto para subir para 2, 2,5 vezes o ebitda a nossa alavancagem para buscar esse crescimento. Temos bastante espaço para trazer novas companhias para o portfólio e isso já está sendo executado. Há oportunidades no mercado de diagnósticos e já abrimos novas avenidas de crescimento, como em oftalmologia, ortopedia e infusão. Temos outras em estudo, nossa ambição é muito grande de crescimento e de participação da receita dessas avenidas”, afirmou o diretor financeiro da empresa, Fernando Leão, em teleconferência de resultados.

A presidente do Fleury, Jeane Tsutsui, explicou que a companhia está com foco na visão de atender o paciente em toda a sua jornada, desde a consulta, passando pelo diagnóstico e até o tratamento. “É difícil dizer qual dessas avenidas vai crescer mais, mas o importante é o conjunto, oferecer também a parte preventiva e tratamentos”, afirmou.

Segundo a executiva, a empresa também busca parcerias para prospectar clientes para as novas especialidade e, além delas, aposta também na área de Saúde ID, que tem como foco pacientes que não têm plano de saúde, mas podem pagar uma mensalidade mais baixa que prevê atendimentos principalmente por meio de consultas online.

“Estamos em período de alavancar e crescer a plataforma ID, está em fase ainda de ter custos, mas estamos confortáveis com esses investimentos na plataforma. Quando tiver maior receita vindo de outros elos teremos um mix, alguns desses elos trazem margem maior e outros, menor, mas no combinado o objetivo é que empresa cresça e queremos ser player que olha de forma integrada para saúde”, reiterou.

CUSTOS

A presidente da empresa ainda comentou sobre a elevação de custos vista no segundo trimestre e disse que eles se devem principalmente à reorganização de estrutura e reposição de quadro de funcionários para atender o crescimento da empresa e a volta da demanda por exames, além de custos para reparar os danos após o ataque cibernético que sofreu recentemente.

“Tivemos no trimestre uma recomposição no quadro de pessoal porque já teve recuperação de volumes de exames de rotina, para atender essa demanda que está vindo. Muitos pacientes com doenças crônicas deixaram de fazer exames, por exemplo. Há uma recuperação de exames de imagem enquanto diminuem os exames de covid-19”, explicou.