Bolsa passa por correção e sobe; dólar fecha em queda

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Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 1,74%, aos 116.478,98 pontos, acompanhando o movimento de correção das principais Bolsas no exterior, após a queda de mais de 3% ontem, quando investidores ficaram assustados com a rápida disseminação do coronavírus.

A recuperação dos preços de commodities e notícias sobre vacinas que estão sendo desenvolvidas contra o vírus também ajudaram na recuperação do índice. O volume total negociado foi de R$ 20,2 bilhões.

Para a analista da Toro Investimentos, Luana Nunes, já era esperado que houvesse uma correção hoje diante da queda significativa no pregão anterior, mas essa recuperação pode não seguir ao longo da semana e é possível que a volatilidade aumente. “É possível termos novas quedas se prevalecer o aumento do número de casos do coronavírus”, alertou a analista.

Ela lembra, que além de precisar continuar a monitorar o noticiário sobre o vírus, a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) amanhã, pode trazer cautela.

O economista-chefe do Banco Fator, Francisco de Lima Gonçalves, também é cauteloso e acredita que o comportamento dos preços dos ativos hoje revelou mais um “ajuste de exageros de ontem” do que notícias propriamente ditas sobre o andamento da epidemia na China e sua eventual difusão no mundo.

Na China, de onde o vírus se originou, já matou mais de 100 pessoas e mais de 4.500 foram infectadas. Mais cedo, o governo alemão confirmou o primeiro contágio entre pessoas da Europa. No entanto, uma notícia de que uma vacina já está sendo desenvolvida nos Estados Unidos chegou a ajudar os mercados durante à tarde.

Entre as ações, as ligadas a commodities, que ficaram entre as que mais sofreram ontem, sustentaram a alta do Ibovespa, caso das ações da Petrobras (PETR3 2,34%; PETR4 2,74%), acompanhando a recuperação dos preços do petróleo.

Os papéis de varejistas também passaram a subir mais ao longo do pregão, com destaque para o Magazine Luiza (MGLU3 5,76%) e da Via Varejo (VVAR3 5,76%), que ficaram entre as maiores altas do índice. Ainda entre as maiores altas ficaram as ações da Azul (AZUL4 7,85%), depois que a companhia anunciou que está acelerando o plano de renovação de sua frota, e do IRB Brasil (IRBR3 6,09%).

Na agenda de amanhã, o destaque é a decisão do Fed, às 16h, sendo que O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, concede entrevista coletiva para falar sobre a decisão de política monetária a partir das 16h30.

O dólar comercial fechou em queda de 0,35% no mercado à vista, cotada a R$ 4,1950 para venda, em sessão de forte volatilidade influenciado pelo temor do mercado em meio ao avanço do coronavírus na China e em outros países, enquanto investidores aguardam a decisão de política monetária do banco central dos Estados Unidos, amanhã.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que o movimento da moeda foi de “clara” realização de lucros após os fortes ganhos observados ontem – quando a moeda operou no maior valor em quase dois meses, acima de R$ 4,23.

Ele acrescenta que a volatilidade se deu após o Ministério da Saúde alertar que o Brasil entrou no nível de “perigo iminente” em relação ao coronavírus após confirmar que monitora um caso suspeito em Belo Horizonte. Uma estudante de 22 anos esteve em Wuhan (China) e desembarcou no Brasil no dia 24 e apresenta sintomas compatíveis com a doença, mas passa bem.

Ao longo da sessão, investidores se prepararam pela decisão de política monetária do Fed amanhã à tarde, no qual o mercado aguarda a manutenção da taxa de juros na faixa entre 1,50% e 1,75%. Analistas, porém, fazem apostas de detalhes do comunicado da autoridade monetária que podem chamar a atenção dos investidores.

Para a estrategista de câmbio do Ourinvest, Cristiane Quartaroli, o mercado deve se atentar ao comentário sobre o balanço de riscos, já vem ganhando destaque no documento nas últimas reuniões.

Já o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti, o presidente do Fed, Jerome Powell, pode citar o avanço do coronavírus como um “risco novo” reforçando o discurso adotado nos encontros anteriores de que o banco central dos Estados Unidos segue atento aos números da economia do país e de outras economias. Beyruti acrescenta que Powell também poderá ser questionando sobre a “injeção de liquidez” que o Fed vem promovendo no mercado.