Williams e Clarida dão pistas sobre ação mais agressiva do Fed no final do mês

Por Carolina Gama

São Paulo – Duas das principais autoridades do Federal Reserve (Fed) sinalizaram que o banco central norte-americano pode adotar uma postura mais agressiva com relação à taxa de juros na reunião de política monetária do final deste mês.

Prédio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Washington. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

O primeiro a falar foi o presidente da unidade do Fed de Nova York, John Williams, indicando que, em um ambiente de taxas de juros historicamente baixas, os bancos centrais devem enfrentar qualquer sinal negativo de forma rápida e agressiva.

“É necessário tomar medidas imediatas quando confrontado com condições econômicas adversas” e “manter as taxas de juros mais baixas por mais tempo”, disse Williams em texto preparado para conferência bancária.

A próxima reunião do comitê de política monetária do Fed está marcada para os dias 30 e 31 deste mês. Atualmente, a taxa básica está na faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano e a expectativa do mercado é de que haja um corte de pelo menos 0,25 ponto percentual nos juros.

Segundo Williams, que é vice-presidente do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), quando as taxas de juros estão bem acima de zero, é possível “se dar ao luxo de agir lentamente e adotar uma abordagem de ‘esperar para ver’ para ganhar clareza adicional sobre desenvolvimentos econômicos potencialmente adversos”.

Mas com taxas já relativamente baixas, o Fed tem menos espaço para reduzir os custos de empréstimos. “Quando você tem estímulos à sua disposição, vale a pena agir rapidamente a taxas menores no primeiro sinal de dificuldade econômica “, acrescentou.

A VEZ DO VICE

Logo após a divulgação do discurso de Williams, foi a vez do vice-presidente do Federal Reserve, Richard Clarida, falar sobre política monetária. Ele afirmou em entrevista para a Fox Business que não é necessário esperar os dados econômicos se tornarem ruins para uma ação mais decisiva do banco central norte-americano.

Clarida disse ainda que a economia norte-americana segue bem posicionada, mas reconheceu que as incertezas ligadas às perspectivas para os Estados Unidos aumentaram.

“O Fed agirá apropriadamente para sustentar o crescimento da economia norte-americana”, afirmou.

As declarações de Clarida reforçam os últimos discursos feitos pelo presidente do Fed, Jerome Powell, indicando que a economia dos Estados Unidos segue sólida, mas as incertezas ligadas ao comércio, à desaceleração global e à inflação branda são maiores agora.

“Os dados econômicos apresentam uma performance mista, mas os indicadores globais desapontam”, disse Clarida.

REAÇÃO DO MERCADO

A reação do mercado às declarações de Williams e Clarida foi imediata. Além de impulsionar os ganhos do mercado de ações norte-americano, os investidores aumentaram as apostas em uma acomodação maior.

Logo após o discurso de Williams, as apostas em um corte de 0,50 pp na taxa de juros na reunião de 30 e 31 deste mês subiram para 56,6%. Assim que a entrevista de Clarida foi divulgada, essas apostas aumentaram ainda mais, para 71%, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group. Ontem, os investidores viam 34,3% de chance de uma redução de 0,50 pp.

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