Wesley Batista pode pegar até 5 anos de prisão por fraude no mercado financeiro

13/09/2017 08:37:36

Por: Allan Ravagnani / Agência CMA

Viatura da Polícia Federal  (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

São Paulo – O presidente da holding J&F, Wesley Batista, irmão de Joesley Batista – preso no domingo – foi preso nesta manhã pela Policia Federal na segunda fase da operação Tendão de Aquiles. Além de Wesley, a 6a Vara Federal de São Paulo expediu mais um pedido de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão em endereços da companhia.

A operação Tendão de Aquiles investiga o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio deste ano, data da divulgação da delação premiada dos executivos da JBS, que afetou o mercado financeiro. A 1a fase da operação foi deflagrada em 9 de junho com três mandados de busca e apreensão e quatro mandados de
condução coercitiva.

A investigação apura dois eventos. “O primeiro é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações, e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo
decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha”, diz a PF.

A segunda apuração é sobre a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17.

Após a primeira fase da operação, com participação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), policiais federais analisaram documentos e realizaram perícias, trazendo elementos de prova que indicam crimes e apontam autoria aos dois dirigentes do grupo, que poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de um a cinco anos de
reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

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