Volatilidade ajudou a aumentar retorno de títulos do Tesouro Direto

14/06/2018 14:12:02

Por: Flávya Pereira / Agência CMA

São Paulo – A volatilidade no mercado de juros nas últimas semanas trouxe instabilidade aos mercados brasileiros e com os títulos do Tesouro Direto não foi diferente. Diretamente influenciada pelas taxas de juros futuros, a negociação destes títulos foi suspensa em várias sessões recentemente, mas isso não impediu o aumento das taxas projetadas pelos papéis.

“Mesmo com o cenário de queda da Selic [taxa básica de juros], os títulos públicos voltaram a ficar mais atrativos nas últimas semanas”, diz a analista de investimentos da Levante, Marcela Kasparian.

O estrategista de renda fixa da Renascença Corretora, Fernando Ferez, explica que “desde abril vem tendo reprecificação nos ativos de renda fixa. No mês passado, teve uma deterioração mais forte, daí piorou no fim de maio e começo de junho sob forte influência do mercado externo”, ressalta.

Segundo Marcela, quem já tinha investido, “estava posicionado”, perdeu rendimento nos títulos “porque teve uma precificação em cima de uma expectativa de que haveria uma queda na Selic”, pontua.

O movimento de volatilidade na taxa de juros começou justamente na semana da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), em maio, quando a autoridade monetária decidiu manter a taxa em 6,50% ao ano (aa) mesmo após sinalizar que faria mais um corte da Selic. O mercado havia apostado que a taxa ficaria em 6,25% aa.

Nesta reprecificação na curva de juros futuros, os analistas destacam a alta nos rendimentos, principalmente, dos títulos prefixados [LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN-F – Notas do Tesouro Nacional série F]. Entre 14 de maio e 14 de junho, o rendimento das LTNs com vencimento em 2021 e em 2025 subiu 18%, em média. Enquanto o das NTN-Fs com vencimento para 2029 aumentaram mais de 17%.

“Os títulos prefixados são os que mais acompanham essa alta na curva de juros. Já os indexados à inflação [NTN-B – Notas do Tesouro Nacional série B e NTN-B Principal] também acompanham, porém, em um ritmo menor em decorrência da inflação ainda baixa”, ressalta o private banker da gestora Azimut Brasil WM, Mauro Mattes. O juro projetado pela NTN-B Principal com vencimento em 2035, por exemplo, subiu pouco mais de 8% em 30 dias.

Mattes explica que, apesar da alta nos rendimentos desses títulos, que favoreceu as aplicações dos últimos dias no Tesouro Direto e deve favorecer as próximas, quem já havia investido nos prefixados “deixou de ganhar ao redor de 15%. Não foi efetivamente uma perda”, diz.

Os especialistas comentam que nesses eventos em que o rendimento sobe é comum os investidores querem vender os títulos, mas pode não ser um bom negócio.

“O investidor do Tesouro Direto precisa ter consciência que quando há reprecificação, há perdas mesmo. Mas ele precisa saber que títulos públicos não são para ficar negociando o papel. A proposta é resgatar na data em que o papel vence, e não antes”, reforça o estrategista da Renascença.

Sobre isso, o private banker da Azimut, pondera ser importante o investidor ter o objetivo das aplicações antes de compor a carteira de títulos. “Se a necessidade dele requer a compra de vencimentos de médio ou longo prazo, o ideal é que seja acima de 2025, 2029, por exemplo”, orienta.

“Quem comprou nos últimos dias ou vai comprar agora, terá um rendimento interessante, que não estava sendo visto nos títulos em razão da Selic em baixa. É uma oportunidade para comprar”, diz Mattes. O especialista chama a atenção para as NTN-Bs, “que tendem a melhorar o rendimento nos próximos meses com a alta do dólar, em que, consequentemente, haverá uma pressão inflacionária”, destaca.

Já Ferez recomenda que “quem tem dinheiro em caixa e pode investir agora, vejo possibilidade boa para investir em título público com a curva de juros ‘abrindo’ mais um pouco’. Quem já tinha investido, não perdeu tanto assim. Se houve venda de papel, houve perdas”, diz.

Edição: Gustavo Nicoletta (g.nicoletta@cma.com.br)

 

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