Visita de Lavrov, da Rússia, à América Latina terá foco em Brasil e Venezuela

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. (Foto: Divulgação/Ministério de Relações Exteriores da Rússia)

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A visita à América Latina do ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, será baseada na solução da crise na Venezuela e na posição que o Brasil ocupará nos BRICS (grupo composto por Brasil, Rússia, India, China e África do Sul), após a chegada do novo líder do país, Jair Bolsonaro, disseram especialistas russos à agencia de notícias “Sputnik”.

O chanceler russo iniciou hoje uma turnê pelo continente, e planeja de 23 a 27 de julho para visitar Cuba, Brasil e Suriname, além de realizar reuniões com os líderes desses países. Para o especialista do Instituto da América Latina, Vladimir Davidov, a viagem de Lavrov representa um sinal muito positivo de que a Rússia “continua sendo um país que mantém interesses globais “.

Por outro lado, Dmitri Burij, diretor adjunto do centro de estudos dos Estados Unidos, Canadá e os países da América Latina destacou que o Brasil “é um dos parceiros comerciais e econômicos cruciais de Moscou na região”. Para ele, “a questão da posição brasileira perante os BRICS representará um tema de grande importância, especialmente porque esse país entre 13 e 14 de novembro sediará a cúpula da entidade”.

Segundo Burij, o novo presidente do Brasil “está tentando evitar mostra um foco claro da posição do Brasil nos BRICS, pois compreende muito bem que foi o governo anterior, de esquerda, que colocou o país nesta associação”.

O pesquisador ressaltou que na cúpula informal realizada no G-20 (grupo que reúne economias mais industrializadas e países emergentes) Bolsonaro foi “um pouco tímida”, e a visita de Lavrov ajudará a esclarecer a situação. Embora o estilo de trabalho do Brasil dentro dos BRICS possa mudar, o especialista não vê que seja possível que o Estado latino-americano renuncie à filiação nesse órgão.

No entanto, a principal questão que será abordada durante a visita de Lavrov ao Brasil será a crise na Venezuela, segundo o historiador Andréi Schelchkov, do Centro de Estudos Latino-Americanos da Academia Russa de Ciências. “A questão principal será a Venezuela, que para o Brasil é uma grande dor de cabeça, mas há alguns meses a situação ficou mais tensa, e a posição da Rússia era incômoda para o país vizinho e, acima de tudo, para Bolsonaro”.

Segundo Schelchkov, os brasileiros “mudaram de tom, porque viram que o regime na Venezuela não caiu”. Para o historiador, tanto a Rússia quanto o Brasil “concordam que é necessária uma solução pacífica para a crise venezuelana”.

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