Vendas no varejo crescem menos que previsto em junho

Por Olívia Bulla

São Paulo – As vendas do comércio varejista restrito, que excluem veículos e material de construção, tiveram leve alta de 0,1% em junho em relação a maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da previsão, de +0,5%, conforme mediana calculada pelo Termômetro CMA.

Em maio, as vendas no varejo ficaram estáveis (dados revisado) em relação a abril, quando caiu 0,4% frente a março. Já na comparação com maio de 2018, as vendas no varejo interromperam duas altas seguidas e caíram 0,3%, contrariando a previsão de +1,0%. Até junho, o varejo restrito acumula altas nas vendas de 0,6% no ano e de 1,1% nos últimos 12 meses.

Apesar da alta acumulada nos seis primeiros meses de 2019, o IBGE destaca que o volume de vendas no varejo vem perdendo ritmo desde fevereiro. Segundo o instituto, o desempenho mensal do setor foi influenciado pela estabilidade em hipermercados e em outros artigos (+0,1%). Juntos, essas atividades responderam por cerca de 60% do resultado em junho.

Segundo a gerente da pesquisa, Isabella Nunes, o resultado do varejo reflete a conjuntura de baixo dinamismo econômico, o grande nível de pessoas desempregadas, e o elevado endividamento das famílias, que é o maior desde abril 2016, citando dados do Banco Central.

“As famílias estão fugindo das prestações na aquisição de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos, e estão direcionando o consumo para alimentos. Então, a queda em hipermercados não significa que as famílias estejam deixando de comprar, mas estão optando por marcas mais baratas”, explica Isabella.

Para ela, ainda que o mercado de trabalho tenha mostrado aumento de população ocupada, tal aumento se deu no emprego informal, que tem um rendimento mais baixo, além de não ter benefícios e nem acesso a crédito. “Por isso não se refletiu no setor do comércio”, concluiu.

Em relação ao comércio varejista ampliado, que incluem veículos e material de construção, as vendas ficaram estáveis em junho ante maio, com ajuste sazonal, mas avançaram 1,7% no confronto com um ano antes. Com isso, as vendas no varejo ampliado acumulam altas de 3,2% no ano e de 3,7% em 12 meses, até junho.

Em base mensal, as vendas no segmento de material de construção caíram 1,2%, enquanto o segmento de veículos, motos, partes e peças subiu 3,6%. Já em relação a um ano antes, o segmento ligado à reformas e construção teve queda de 3,6%, enquanto o ligado aos automóveis disparou 10,0%.

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