Trump concorda em se reunir com Kim Jong Un

09/03/2018 10:01:27

Por: Pâmela Reis / Agência CMA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (Foto: Gage Skidmore/Flickr)

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou o convite para se encontrar com o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, numa virada drástica após meses de insultos e ameaças entre os dois líderes. O convite foi feito pelo Conselheiro Nacional de Segurança da Coreia do Sul, Chung Eui-Yong, em visita a Washington ontem, após ter viajado à Coreia do Norte e se encontrado com Kim.

“Eu disse ao presidente Trump que, na reunião, Kim Jong Un disse estar comprometido com a desnuclearização”, afirmou Chung Eui-Yong na Casa Branca. “O presidente agradeceu as informações e disse que se encontraria com Kim Jong Un até maio para alcançar a desnuclearização permanente”. Segundo a Secretaria de Imprensa da Casa Branca, o local e a data do encontro ainda não foram determinados.

Ainda de acordo com o representante de Seul, Kim Jong Un prometeu não realizar mais testes nucleares e de mísseis e, ao mesmo tempo, entendeu que a rotina de exercícios militares entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos precisa continuar. As declarações parecem surpreendentes já que, no ano passado, a Coreia do Norte realizou diversos testes de mísseis intercontinentais e declarou que seu arsenal poderia alcançar solo norte-americano.

Trump confirmou pelo Twitter a intenção de participar do encontro. “Kim Jong Un conversou sobre desnuclearização com representantes da Coreia do Sul, não apenas sobre um congelamento [das atividades nucleares]”, escreveu ele. “Também não haverá teste de míssil pela Coreia do Norte nesse período. Grande progresso está acontecendo, mas as sanções ficarão em vigor até que um acordo seja alcançado. Reunião sendo planejada!”.

Desde que assumiu o poder, Trump impôs mais sanções sobre Pyongyang, adotou uma retórica dura, chegando a prometer “fogo e fúria” contra o país asiático, e defendeu o isolamento comercial e diplomático dos norte-coreanos, no que ele chama de política de ‘máxima pressão’. Este ano, no entanto, a Coreia do Norte ensaiou uma reaproximação com a Coreia do Sul e se mostrou aberta ao diálogo, ao que Trump respondeu positivamente.

Segundo um funcionário sênior da Casa Branca, a reunião não significa um abrandamento da pressão sobre a Coreia do Norte e os Estados Unidos não aceitarão nada que não inclua o fim permanente das atividades nucleares na Península Coreana. “O presidente Trump está coordenando de perto este processo junto com a Coreia do Sul e também com o Japão”, afirmou.

O encontro acontecerá sem reuniões prévias entre funcionários dos dois governos, como é praxe em eventos do tipo. Segundo o representante da Casa Branca, “Trump construiu sua reputação fazendo acordos. Kim Jong Un é a única pessoa que pode tomar decisões sob o sistema autoritário ou totalitário da Coreia do Norte. Por isso, faz sentido aceitar um convite para encontrar a única pessoa que pode realmente tomar decisões”.

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