Theresa May quer colocar acordo do Brexit em votação pela quarta vez

A primeira-ministra britânica, Theresa May (Divulgação / Governo do Reino Unido)

São Paulo – A primeira-ministra britânica, Theresa May, não desistiu de colocar o acordo do Brexit – como é conhecido o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) – em votação no parlamento britânico. Se isso acontecer, será a quarta vez que o pacto acertado entre Londres e Bruxelas tentará passar pelo crivo dos legisladores do país.

“May quer colocar seu acordo para votação na quinta-feira, oito dias antes da nova data para a saída do Reino Unido da União Europeia”, disse o estrategista do Rabobank, Piotr Matys.

A nova ofensiva de May acontece após o parlamento britânico rejeitar, ontem, pela segunda vez, todas as alternativas ao Brexit. Os legisladores não conseguiram consenso para opções como a permanência do Reino Unido na união aduaneira ou para a criação de um mercado 2.0 e para um novo plebiscito. Além delas, a opção de revogação do processo de saída também foi barrada.

De acordo com o analista chefe de mercados da CMC Markets, Michael Hewson, o lado positivo da votação de ontem é que várias opções perderam por uma pequena margem de votos.

“A opção da união aduaneira não passou por três votos, 273 a 276. A opção do segundo plebiscito foi barrada por 12 votos e foi a alternativa mais popular, obtendo 280 votos, enquanto a revogação da saída recebeu o maior número de votos contrários, 292”, afirmou Hewson.

De olho na baixa margem de rejeição da opção de permanecer na união aduaneira, May também negocia com a cúpula de seu partido a possibilidade de apresentar essa proposta como um meio de acabar com o impasse envolvendo o Brexit.

SAÍDA SEM ACORDO

Outra opção, a mais temida delas, seria a de uma separação sem acordo. Algumas autoridades europeias voltaram a afirmar hoje que as chances de uma saída abrupta são ainda maiores.

Segundo o negociador chefe da UE para Brexit, Michael Barnier, se o acordo fechado entre Londres e Bruxelas não for aprovado pelo parlamento britânico, restará duas opções: uma separação não consensual ou a revogação do artigo 50 do Tratado de Lisboa, que fala sobre a saída de um membro do bloco europeu.

“Seria responsabilidade do governo britânico escolher entre essas duas opções. Um cenário sem acordo nunca foi um cenário desejado, mas se torna cada dia mais provável”, disse Barnier.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que diante da dificuldade de o Reino Unido encontrar uma solução que reúna a maioria, a escolha de divórcio sem acordo é a mais provável. “Não podermos evitar esse cenário”, afirmou Macron.

MAIS TEMPO PARA MAY

Diante da paralisação do processo de saída dos britânicos da UE, a maioria dos especialistas aposta em um novo adiamento do prazo do Brexit em uma tentativa de separação com acordo. Os líderes da UE têm programado um
encontro de emergência no próximo dia 10 para discutir a questão.

“A ideia é impedir uma saída desordenada, mas não há garantias que o
adiamento evite esse desfecho”, disse Matys, do Rabobank.

Originalmente, o prazo do Brexit era 29 de março, mas o governo britânico, com a chancela do parlamento, pediu a extensão dessa data, que passou para 12 de abril.

“Se Theresa May não conseguir com uma última tentativa aprovar seu acordo no parlamento britânico, então um adiamento relativamente longo deve voltar à mesa”, disse o estrategista global da Nordea, Andreas Steno Larsen. Ele aposta em uma extensão de nove meses.

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