Disputa comercial entre EUA e China afeta demanda global de petróleo, diz AIE

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Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo sua projeção de crescimento da demanda global por petróleo para este ano e o próximo, citando a desaceleração da economia global e o agravamento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.

Segundo relatório mensal da AIE, a demanda global deve aumentar em 1,1 milhão de barris por dia (bpd) este ano ante 2018, somando 100,4 milhões de bpd, após a projeção de alta de 1,2 milhão de bpd feita no relatório do mês anterior. Para 2020, a previsão de crescimento na demanda caiu de 1,35 milhão de bpd para 1,3 milhão de bpd, somando 101,7 milhões de bpd.

A AIE rebaixou três vezes, nos últimos quatro meses, suas projeções de demanda global de petróleo para este ano, devido a preocupações sobre a saúde da economia global. “Agora a situação está tornando-se ainda mais incerta: a disputa comercial entre Estados Unidos e China permanece sem solução e em setembro novas tarifas devem ser impostas”, segundo a AIE.

“As perspectivas de um acordo político entre a China e os Estados Unidos sobre o comércio pioraram. Isso pode levar a uma redução da atividade comercial e a um menor crescimento da demanda por petróleo”, de acordo com o relatório.

Além disso, o crescimento da demanda tem sido “muito lento” no primeiro semestre do ano, com alta de 520 mil bpd de janeiro a maio, o ritmo mais fraco para o período desde 2008. “Novos dados este mês mostram revisões para baixo dos números de demanda de petróleo da Índia, Arábia Saudita, Coréia e vários países europeus”, e dados dos Estados Unidos mostram menor demanda por combustíveis, especialmente gasolina.

Por fim, a agência levou em consideração a revisão para baixo pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) das projeções de alta do PIB global este ano e no próximo. “Há um crescimento de evidências de desaceleração econômica, com muitas grandes economias relatando fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre de 2019, relacionado à menor produção comercial e industrial”, segundo a AIE.

OFERTA

Com relação à oferta de petróleo, a agência projeta que o fornecimento dos países não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vai avançar em 1,9 milhão de bpd este ano, em base anual, para 64,8 milhões de bpd, após a projeção de alta de 1,95 milhões de bpd do relatório anterior. A leve revisão para baixo reflete a projeção mais fraca para a produção do Brasil.

Para 2020, a previsão de crescimento na demanda dos países de fora da Opep ficou inalterada em 2,2 milhão de bpd, somando 67,0 milhões de bpd, refletindo a aceleração na oferta do Brasil, bem como o início de novos projetos na Noruega e na Guiana. A AIE não faz projeções para os membros do cartel.

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