Temer é preso por corrupção ligada a Angra 3

O presidente Michel Temer durante encontro com servidores da Presidência da República, no Palácio do Planalto. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

São Paulo – A força-tarefa da Operação Lava Jato pediu a prisão preventiva do ex-presidente Michel Temer, do ex-ministro Moreira Franco e de outros envolvidos num esquema de corrupção que envolveu a contratação de empresas para executar um projeto na usina nuclear Angra 3.

De acordo com os investigadores, a Eletronuclear – estatal dona da usina Angra 3 – contratou a empresa AF Consult para executar um projeto eletromecânico na usina. A empresa finlandesa, porém, carecia de um parceiro brasileiro para executar o serviço, e se associou à Argeplan. As duas formaram a AF Consult do Brasil, empresa na qual a Argeplan tinha uma fatia de 49,9%.

A Argeplan pertence a João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo pessoal de Michel Temer e que já foi mencionado em investigações anteriores sobre o ex-presidente.

Ainda assim, nem a AF Consult nem a Argeplan tinham capacidade técnica para executar o projeto. As companhias, então, subcontrataram a Engevix, que tinha interesse em participar do negócio para conseguir qualificação técnica para contratos futuros com a Eletronuclear.

Os investigadores dizem também que, no curso do contrato com a Eletronuclear, coronel Lima solicitou ao sócio da empresa Engevix o pagamento de propina, em benefício de Michel Temer. A propina teria sido paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,091 milhão da empresa Alumi Publicidades para a PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada por Lima.

“Para justificar as transferências de valores foram simulados contratos de prestação de serviços da empresa PDA para a empresa Alumi. O empresário que pagou a propina afirma ter prestado contas de tal pagamento para o Coronel Lima e Moreira Franco”, disse o MPF do Rio de Janeiro em nota.

DESVIO TOTAL DE QUASE R$ 2 BILHÕES

O MPF disse também que as investigações apontam que a organização criminosa centrada no coronel Lima e em Michel Temer praticou diversos crimes envolvendo variados órgãos públicos e empresas estatais, “tendo sido prometido, pago ou desviado para o grupo mais de R$ 1,800 bilhão”.

A investigação mostra também que diversas pessoas físicas e jurídicas colocadas como intermediárias na rede de corrupção continuam recebendo e movimentando valores ilícitos, além de permanecerem ocultando valores, inclusive no exterior.

“Quase todos os atos comprados por meio de propina continuam em vigência e muitos dos valores prometidos como propina seguem pendentes de pagamento ao longo dos próximos anos”, disse o MPF.

Gustavo Nicoletta / Agência CMA ([email protected])

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