S&P rebaixa nota de crédito do Brasil e ataca políticos

11/01/2018 20:40:37

Por: Carolina Gama e Gustavo Nicoletta / Agência CMA

Rio de Janeiro – Em solidariedade à França,Cristo Redentor e iluminado com as cores da bandeira do país (Divulgação/Secom/RJ)

São Paulo – A agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito do Brasil de ‘BB’ para ‘BB-‘ e alterou a perspectiva de negativa para estável, afirmando que o progresso na adoção de leis que corrijam o quadro fiscal e o aumento do endividamento está mais lento do que o esperado.

“Atrasos no avanço de medidas fiscais corretivas, críticas para abordar uma das principais fraquezas do rating do Brasil, juntamente com as perspectivas incertas para as eleições presidenciais em 2018, refletem uma eficácia mais fraca na formulação de políticas pelos políticos do país”, disse a S&P.

“A perspectiva estável reflete nossa visão de que o perfil externo relativamente sólido do Brasil e a flexibilidade e credibilidade das políticas monetária e cambial ajudam a ancorar o rating em ‘BB-‘ ao longo do próximo ano, compensando a fraqueza econômica e fiscal e a incerteza das eleições presidenciais”, acrescentou.

A agência de classificação de risco disse que, apesar de ter avançado em muitas reformas microeconômicas, o governo brasileiro fracassou até o momento em reunir apoio do Congresso a medidas que corrijam a trajetória fiscal e facilitem o cumprimento do teto de gastos.

Além disso, “em determinados momentos houve sinais ou ações mistas que complicam a correção fiscal ou a execução de políticas, entre elas medidas previstas no orçamento de 2018”. A agência aponta que esta situação reforça a perspectiva de que a capacidade de resposta e o compromisso dos políticos diminuiu em relação às expectativas anteriores.

A S&P disse que a falta de apoio substancial da classe política a um ajuste fiscal mais forte e rápido sublinha a necessidade de o próximo presidente ter capital político suficiente para adotar rapidamente ações corretivas.

“No entanto, este não é o nosso cenário-base. Na nossa opinião, a ausência de coesão no apoio a medidas corretivas observado até o momento reduz a perspectiva de uma resposta rápida e sólida após as eleições”, afirmou a agência, acrescentando que a correção do quadro fiscal é uma tarefa de vários anos e um desafio que se apresentará a mais de um governo.

A S&P prevê que em 2018 o déficit nominal do Brasil seja equivalente a 7,8% do Produto Interno Bruto (PIB), diminuindo gradualmente para 6% do PIB até 2020. Em 2016, essa taxa estava em 9% e, em 2017, a estimativa é de que a taxa tenha diminuído para 8,3%. O déficit primário deve atingir 2% do PIB em 2018, caindo para 1,5% no ano que vem e para 0,9% em 2020.

A dívida do governo excluindo as reservas internacionais deve aumentar para 72% do PIB até 2020, de 52% em 2016. A agência prevê também que as contas externas do Brasil continuarão se ajustando, com o déficit em conta corrente atingindo 0,9% do PIB neste ano, bem distante do pico de 4,2% observado em 2014.

O saldo negativo da conta corrente deve crescer nos anos seguintes, mas continuará sendo financiado pelo Investimento Estrangeiro Direto (IED).

Para a inflação, a previsão da S&P é de que a taxa se recupere ao longo dos próximos anos, conforme a economia se fortalece, e fique próxima da meta oficial.

Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a agência projeta crescimento de 2,2% para este ano, depois de uma expansão de 1,0% em 2017. Para 2019 e 2020, a estimativa é de alta de 2,4% e 2,5%, respectivamente.

Para o mercado de trabalho, a previsão é de uma taxa de desemprego de 12,4% para este ano, depois dos 13,0% de 2017. Em 2019 e 2020, a taxa de desemprego no Brasil deve ser de 11,6% e 10,6%, respectivamente.

Edição: Gustavo Nicoletta (g.nicoletta@cma.com.br)

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