Socialistas devem vencer no domingo na Espanha,mas estarão sujeitos a coalizão

Por Carolina Pulice

Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Foto: Wikipedia

São Paulo, 25 de abril de 2019 – Os espanhóis vão às urnas neste domingo para escolher um novo líder. Eles também vão votar em senadores e deputados, que ajudarão a compor o novo governo, dando fim ao período de turbulência política que assolou o país no último ano. Para analistas consultados pela agência CMA, os socialistas tendem a vencer as eleições, mas terão que enfrentar velhas questões para conseguir governar.

“Partidos pró-independência da Catalunha podem se tornar mais uma vez decisivos para que o PSOE obtenha maioria”, afirmou o sociólogo da Universidade de Edimburgo, Daniel Cetra.

O Partido Operário Socialista Espanhol (PSOE), liderado pelo atual primeiro-ministro Pedro Sánchez, é o tradicional partido de esquerda que pode levar a maioria dos votos na eleição deste ano. Sánchez concorre mais uma vez e, segundo as últimas pesquisas, tem grandes chances de ser eleito, se conseguir uma maioria no parlamento.

Além do PSOE, estão no páreo o Partido Popular (PP), de centro-direita e controlado por Pablo Casado; o Podemos, também de esquerda e controlado por Pablo Iglesias; o centrista Ciudadanos, liderado por Albert Rivera; e o partido de extrema direita Vox, comando por Santiago Abascal.

Apesar da tendência para a esquerda, pesquisas indicam que o PSOE deverá formar uma coalizão com outros partidos para conseguir governar. Segundo a análise do Rabobank, o partido de Sanchéz pode conseguir 129 assentos. Seu maior rival, o Ciudadanos, pode, junto com o P, formar uma coalizão de 138 assentos.

INSTABILIDADE POLITICA

Esta é a terceira eleição em menos de quatro anos na Espanha. A turbulência ocorre por conta de uma instabilidade no governo do ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy. Especialistas apontam que a intensificação do movimento separatista na Catalunha foi um dos pontos principais para a perda de apoio ao governo de Rajoy.

Vale lembrar que, em outubro de 2017, o então chefe de governo da Catalunha, Carles Puigdemont, declarou independência da região e propôs a negociação com a administração espanhola.

Rajoy rejeitou a proposta e retirou a autonomia da região. Desde então, a Catalunha é controlada pelo governo central, e tem julgado os líderes do movimento separatista. Em maio do ano passado, Rajoy foi derrotado em uma moção de desconfiança por um caso de corrupção, e teve que deixar o cargo.

Sanchéz entrou em seu lugar, mas logo sentiu a pressão dos descontentes partidos separatistas da Catalunha. O resultado dessa pressão foi o abandono dos partidos ao seu governo, e a consequente a rejeição da proposta orçamentária, em fevereiro. Com a derrota, Sanchéz antecipou as eleições em quase um ano, para este domingo.

Analistas, porém, indicam que esta pode ter sido uma manobra de Sanchéz e de seu partido para renovar o parlamento espanhol, conseguir maioria, e assim poder governar com apoio.

“O argumento dado para o PSOE convocar novas eleições foi a falta de habilidade para obter uma maioria para passar o orçamento por conta da oposição de partidos pró-independência da Catalunha. Enquanto isso foi significante, as considerações estratégicas foram mais importantes”, afirmou Cetra, da Universidade de Edimburgo.

Para ele, o partido ERC, de centro-esquerda da região, pode ganhar a maioria dos assentos na Catalunha, mantendo a demanda de libertar os líderes separatistas, mas ao mesmo tempo evitando a ascensão de um governo de direita em Madri.

O professor de História da Universidade de Bristol, Paco Romero Salvado, lembra que o sistema eleitoral espanhol garantir a maioria para o partido de esquerda. “Dado que o sistema eleitoral do país ajuda a concentração de todos, os partidos separatistas da Catalunha podem ser importantes para dar uma maioria para o PSOE no parlamento”, afirmou.

NOVOS ATORES, OUTRAS QUESTÕES

Outro ator importante nesta eleição é o ultranacionalismo da direita, que tem preocupado os partidos de esquerda e de centro. O Vox, que até então não tinha conseguido nenhum assento no Parlamento, aparece com uma pequena e significativa conquista de representatividade, especialmente após a eleição em Andaluzia, conquistando 12 assentos.

Segundo análise do Rabobank, o partido de extrema direita pode levar até 21 assentos, e conquistar influência nos debates do próximo governo.

“Acho que o PSOE convocou novas eleições com a esperança de que os eleitores votariam na legenda para evitar ascenção do Vox”, disse Salvado, da Universidade de Bristol.

Com isso, a Espanha pode ter, mais uma vez, um partido de esquerda no governo. Mas, com a presença de um partido de extrema direita e a permanente discussão sobre o movimento separatista da Catalunha, o mandato do novo primeiro-ministro não deverá ser equilibrado.

“O processo de formação do governo não será suave e todas as potenciais combinações têm problemas claros. Parece provável que teremos uma situação similar ao que ocorreu nas eleições de 2016, com um longo processo de formação, resultando em um governo de minoria instável”, afirmaram os analistas do Rabobank.

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