Sem histórico não posso confirmar mensagens, diz Moro

Por Gustavo Nicoletta

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – O ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, se recusou a reconhecer a autenticidade das mensagens que teriam sido trocadas entre ele e o procurador Deltan Dallagnol divulgadas pelo site Intercept, afirmando que não possui o histórico das conversas e argumentando que é necessário submeter os dados a um especialista que confirme se elas não foram adulteradas.

“Não tenho mais as mensagens no meu aparelho celular. Usei o Telegram em determinado período”, disse ele à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, afirmando que parou de usar o aplicativo em 2017, quando surgiram notícias sobre influência russa nas eleições norte-americanas, porque o Telegram também tem origem russa.

“Não era muito seguro. Não tenho essas mensagens para poder afirmar se aquilo é autêntico ou não. Tem algumas coisa que eventualmente possa ter dito, algumas coisas que me causam estranheza. As mensagens podem ser total ou parcialmente adulteradas”, disse ele.

Segundo o Telegram, a maioria dos desenvolvedores originais do aplicativo é da Rússia, mas a equipe hoje está em Dubai, nos Emirados Árabes, por causa de regulações ao segmento de tecnologia da informação da Rússia que restringiram a privacidade dos usuários. O Telegram também está bloqueado na Rússia por causa disso.

O senador Angelo Coronel (PSD-BA) perguntou a Moro se ele autorizaria o Telegram a fornecer o conteúdo das mensagens dele que estivessem armazenadas nos servidores do aplicativo. Moro não respondeu diretamente à pergunta. Em vez disso, disse que as mensagens não ficam armazenadas na nuvem.

“Eu saindo do aplicativo essas mensagens foram excluídas. Se tivesse esse material, tenha certeza que o grupo criminoso organizado já teria apresentado”, disse Moro.

A política de privacidade do Telegram confirma em parte a afirmação de Moro. Segundo o documento, se você deletar a conta que possui no aplicativo, todas as mensagens, mídia e contatos e quaisquer outros dados armazenados na nuvem do Telegram serão removidos e esta ação não pode ser desfeita.

No entanto, há algumas exceções. Nas conversas em nuvem, o usuário pode escolher deletar uma mensagem para todos os participantes desde que faça isso até 48 horas depois de ela ter sido enviada. Após este período, a mensagem será excluída apenas do histórico do próprio usuário.

“Isto significa que uma cópia ficará no servidor como parte do histórico do seu parceiro. Tão logo seu parceiro delete a mensagem também, ela sumirá para sempre”, diz o documento.

O Telegram passou a incluir neste ano uma opção para que, em conversas entre dois usuários, um deles possa excluir todas as mensagens enviadas e recebidas por ambos, sem limite de tempo. “Qualquer parte pode optar por limpar todo o histórico de ambas as partes, caso em que os aplicativos serão instruídos a remover todas as mensagens naquela conversa”, diz a política do Telegram.

Segundo o Intercept, Moro demonstrou receios quanto à possibilidade de uma investigação contra Fernando Henrique Cardoso “melindrar” o ex-presidente, que oferecia um “apoio importante” à operação Lava Jato. Além disso, teria repassado informalmente uma pista aos procuradores em um caso relacionado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pontuado em certo momento que a força-tarefa da Lava Jato estava há muito tempo sem lançar operação e sugerido que os procuradores divulgassem nota apontando eventuais incoerências no depoimento de Lula à Justiça – algo fora do padrão.

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