Selic completa um ano no piso histórico, sob nova direção


Comitê de Política Monetária (Copom). (Foto: Beto Nociti/BCB)

São Paulo – A taxa básica de juros deve ser mantida no piso histórico de 6,50% nesta quarta-feira, completando um ano nesse patamar. Mas a ausência de novidades em relação a Selic não significa que a reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) será um não evento. Ao contrário, é grande a expectativa do mercado financeiro em torno do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Egresso do Bozano Simonsen, onde fez carreira como operador e tornou-se executivo por quase duas décadas após a aquisição do banco pelo Santander período interrompido apenas por uma curta passagem em uma gestora independente – o ex-diretor da área internacional de renda fixa da instituição espanhola carrega no nome o peso do avô.

“E ele usa isso a seu favor, como alguém que dá valor ao patrimônio pessoal (goodwill)”, diz um diretor da tesouraria de um banco estrangeiro.

Roberto Campos foi economista, ministro no governo Castelo Branco, logo no início da ditadura militar, quando promoveu muitas reformas econômicas, a favor do setor privado nacional e estrangeiro.

Porém, o diretor citado acima, que preferiu falar em anonimato devido à relação profissional longínqua com Campos Neto, avalia que o novo presidente do BC deve procurar se descolar da imagem do avô à frente da autoridade monetária e deixar sua própria marca. “Ele não tem um perfil acadêmico clássico. É extremamente vaidoso, inteligente e com visão inovadora”, diz.

CARTILHA DO GUEDES

Até por isso, a postura do Banco Central em relação às políticas monetária e cambial deve ser mais pragmática (e liberal), sem se prender a alguma escola/formação nem a algum viés – se mais conservador (hawkish) ou suave (dovish). Ainda assim, a atuação da autoridade monetária sob nova direção deve ser “mais ou menos a mesma”.

O economista-chefe para América Latina da Capital Economics (CE), William Jackson, reconhece que “pouco se sabe sobre o novo presidente do BC”. “Mas parece muito provável que ele irá perseguir a política monetária da mesma maneira que seu antecessor, Ilan Goldfajn, priorizando acima de tudo a meta de inflação”, afirma.

Na mesma linha, o economista do banco Haitong, Flávio Serrano, afirma que, embora seja desconhecido, “ele [Campos Neto] não precisa chegar lá [no BC] mostrando as credenciais”. “Ele pode se dar ao luxo de esperar, ter uma curva de aprendizado”, afirma, acrescentando que esse período só é possível porque o cenário atual não demanda ação.

Ou seja, a troca de comando na autoridade monetária não deve provocar mudanças. “De início, ele não vai mexer em nada, vais apenas monitorar o dia a dia”, comenta um consultor de investimentos de uma corretora nacional.

Contudo, a nova gestão do BC deve estar alinhada à abordagem liberal-reformista do Ministério da Economia.

Assim, qualquer mudança de plano de voo, se houver, terá de ser sinalizada ao mercado financeiro e, principalmente, precisará ter o aval da equipe econômica. “Ele vai ‘rezar’ a cartilha do [ministro Paulo] Guedes”, conclui o consultor.

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