Resultado do Itaú Unibanco desaponta e Ibovespa cai

31/07/2018 18:00:16

Por: Camila de Lira / Agência CMA

São Paulo – O Ibovespa fechou em baixa de 1,31%, a 79.193,61 pontos, num movimento de realização de lucros estimulado pela desvalorização de quase 2% do petróleo no mercado externo – que provocou queda no preço das ações da Petrobras (PETR3 -0,54%; PETR4 -0,85%) – e pela alta menor que a esperada no lucro do Itaú Unibanco (ITUB4 -4,19%) no segundo trimestre.

“O Ibovespa está indo na contramão do mercado com um pouco de realização de lucros. A notícia de hoje foi o resultado do Itaú Unibanco, que veio abaixo do esperado. O mercado realizou um pouco com isso. Localmente, oresultado da Cielo do segundo trimestre também impactou”, comentou o especialista em ações da Levante Investimentos, Eduardo Guimarães.

Os papéis da Cielo (CIEL3 -9,74%) lideraram as quedas do dia após a empresa mostrar estabilidade no volume transacionado por cartões de débito e crédito no segundo trimestre e indicar queda de 17,8% no lucro líquido ajustado no período em comparação com 2017. Segundo Guimarães, os números mostram que a concorrência está pressionando a empresa.

Para o economista da MyCap Corretora, Marink Martins, a queda de 2% do petróleo também influenciou o índice. “Mesmo assim, a Petrobras está caind omenos que o índice, num clima mais favorável ela teria desempenho melhor. O mercado reagiu mal ao resultado do Itaú Unibanco, que teve crescimento no lucro, mas abaixo do esperado”, disse Martins.

No outro ponto do índice, as ações da Eletrobras (ELET3) lideraram a alta do dia, subindo 3,47%, depois de acionistas da empresa aprovarem a transferência de controle das distribuidoras até dezembro deste ano. As ações de bancos seguiram o Itaú Unibanco e também caíram, os papéis do Bradesco (BBDC4) caíram 1,92% e os do Banco do Brasil (BBAS3) perderam 1,18%.

Para amanhã, os principais eventos do dia serão a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e do seu equivalente norte-americano, o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), o que, segundo Guimarães, pode travar o índice perto da estabilidade, com aumento da cautela entre os investidores.

Para Martins, o mercado projeta que tanto o BC quanto o Fed mantenham as taxas de juros, o que significa que o nervosismo trazido pelos dois eventos poderá ser limitado. “O Ibovespa pode até estar mais leve do que hoje, até porque ninguém espera ação do Fed e do BC”, comentou Martins.

O economista lembrou que as notícias de que os Estados Unidos estariam negociando uma possível trégua nas tarifas comerciais com a China e com o México separadamente, que aliviaram os mercados externos hoje, podem influenciar positivamente no índice brasileiro amanhã.

Edição: Gustavo Nicoletta (g.nicoletta@cma.com.br)

Deixar um comentário