Reino Unido vive mais uma semana importante para Brexit

Por Carolina Pulice

Bandeira
FreeImages.com/Robert Owen-Wahl

São Paulo – A visita do presidente norte-americano, Donald Trump, pode ter afastado momentaneamente os holofotes para o Brexit processo de separação do Reino Unido da União Europeia (UE) -, mas analistas ouvidos pela Agência CMA afirmam que esta é uma semana importante para o país, uma vez que a primeira-ministra britânica, Theresa May, renuncia na sexta-feira.

Na semana retrasada, a primeira-ministra britânica anunciou que deixaria o cargo em 7 de junho, após ter seu acordo para o Brexit rejeitado três vezes no Parlamento e com poucas perspectivas de que o novo plano, que ela tinha apresentado na mesma semana, fosse aprovado.

Ela também renunciou à liderança do Partido Conservador, abrindo as portas para a ala mais radical do partido poder tomar o controle do processo de saída da UE. O processo de escolha de seu substituto começa na semana que vem.

“Sua renúncia significa que as chances de um Brexit sem acordo aumentaram, mas o futuro ainda é altamente incerto. Não importa a promessa durante a campanha de liderança que for feita, o próximo primeiro-ministro vai enfrentar algumas dificuldades que Theresa May falhou em superar”, afirmou o professor associado da London School of Economics, Thomas Sampson.

As especulações sobre um Brexit sem acordo se intensificaram depois que a imprensa internacional e líderes políticos começaram a mostrar possíveis candidatos para substituí-la.

O candidato favorito para assumir o cargo é o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, que confirmou ontem sua candidatura ao cargo. Além dele, o Secretário de Estado para assuntos internos do Reino Unido, Sajid Javid, anunciou sua candidatura para liderança do partido conservador e para primeiro-ministro do país.

Para o estrategista sênior do Rabobank, Teeuwe Mevissen, o cenário é menos radical do que parece, com a possibilidade de um acordo para o Brexit ser aprovado, o que significa uma saída mais suave do bloco europeu.

“Não há uma maioria clara para um Brexit duro no parlamento britânico.

Além disso, parece haver pouca vontade dentro do parlamento britânico para o comprometimento”. Para ele, há ainda a possibilidade de a União Europeia estender o prazo de saída – previsto para o dia 31 de outubro – para que o país negocie um acordo. “Só se a UE ficasse insatisfeita e não garantisse uma nova extensão para as negociações poderia mostrar um Brexit duro”, disse.

Sampson complementa, afirmando que nem uma coalizão com o partido de oposição, o Trabalhista, poderia impedir um Brexit sem acordo. “O parlamento vai trabalhar para prevenir um resultado sem acordo, mas ainda não sabemos quem o parlamento vai apoiar. Pode haver uma maioria para um acordo que inclua uma união aduaneira entre o Reino unido e a União Europeia, mas só se o novo primeiro-ministro conseguir construir uma coalizão com o partido Trabalhista uma projeção que parece improvável. Caso contrário, o tempo continua passando”.

A ALTERNATIVA CHAMADA ELEIÇÕES

Soma-se ao caos político deixado por May a vontade do Partido Trabalhista de assumir o poder do país. Na semana passada, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, afirmou que eleições gerais deveriam ser convocadas para evitar um Brexit sem acordo.

“Estamos ouvindo com cuidado o que cada um fala sobre o Brexit. Farage e o Partido do Brexit não oferecem nenhum acordo para o Brexit, o que vai criar caos para os empregos e serviços ao redor do país”, afirmou em suas redes sociais na semana passada. “Precisamos garantir um acordo com a União Europeia e isso deve ser colocado em votação pública”.

Para os analistas consultados pela Agência CMA, as eleições podem ser uma alternativa plausível para o impasse do Brexit, uma vez que não há maioria no parlamento para qualquer proposta.

“Dado que não há voto indicativo que leve uma maioria, as eleições parecem uma boa ideia”, afirmou Mevissen, do Rabobank. “No entanto, o Partido Trabalhista sofreu uma grande perda nas eleições para o Parlamento Europeu, e parece improvável que o partido conquiste a maioria dos votos no Reino Unido.

Está claro que o Brexit está aumentando a divisão eleitoral onde os democratas pró-europeus e o partido do Brexit anti-europeus vão se aproveitar melhor de uma nova eleição”, afirmou.

Já para Sampson, do London School of Business, Jeremy Corbyn pede novas eleições porque ele quer se tornar o novo primeiro-ministro. “Mas isso não significa que é uma má ideia. No momento, o parlamento está dividido e incapacitado de tomar uma decisão. Uma nova votação – sejam novas eleições gerais ou um novo plebiscito – pode ser o necessário para desbloquear o sistema e mostrar um caminho para frente. Mas não sabemos quem ganharia as eleições”, afirma.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com