Reformas econômicas em risco

A suspeita de corrupção envolvendo um assessor de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, é mais um desafio público à imagem de combate à corrupção do próximo governo e, se não for afastada de forma convincente, pode minar o capital político do capitão antes mesmo da aprovação de reformas econômicas impopulares.

De acordo com informações divulgadas na imprensa, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostrou que Fabrício Queiroz movimentou mais de R$ 1,2 milhão num período de aproximadamente um ano, e depositou R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, esposa de Jair.

O documento do Coaf teria apontado também que outros servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro fizeram depósitos numa conta de Queiroz.

Bolsonaro negou envolvimento dele e de sua família com corrupção e disse que o dinheiro depositado na conta de Michelle era referente a um empréstimo feito ao assessor. O dinheiro foi para uma conta da futura primeira-dama porque, segundo Bolsonaro, ele tem dificuldade em encontrar tempo para ir ao banco.

Bolsonaro também disse que Queiroz vai esclarecer a situação. Seus opositores, porém, estão usando a suspeita para questionar tanto o caráter do presidente eleito quanto a postura do futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, que evita se manifestar sobre o assunto.

O objetivo da oposição é convencer o eleitorado de que, embora tenha feito campanha pregando o fim da corrupção e o combate ao crime, o presidente eleito fez promessas da boca para fora.

Se a crítica ganhar corpo, a estratégia de fatiar a reforma da Previdência pode ser prejudicada. Numa reforma em etapas, as medidas impopulares serão anunciadas uma de cada vez – o que por si só já é um problema em termos de convencimento da população e dos congressistas. Isso, somado à desconfiança pública e a uma taxa de aprovação em queda, pode travar as medidas.

Esse é o terceiro grande caso de suspeita de corrupção ligado ao futuro governo Bolsonaro desde a campanha. Os outros dois envolvem financiamento não declarado na campanha do próximo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e fraude na administração de fundos públicos, esta centrada no futuro miniatro da economia, Paulo Guedes.

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