Recuperação do tráfego nas rodovias será tímida em 2018

11/12/2017 15:32:21

Por: Allan Ravagnani / Agência CMA

(Foto: Marcio Luiz Ingenito /FreeImages)

São Paulo – O agronegócio e a recuperação da economia – ainda que lenta – estão devolvendo ao setor de rodovias o tráfego perdido nos últimos anos, quando o volume de caminhões e veículos pesados despencaram 2,8% em 2014, 6,2% em 2015 e 6% em 2016. Para 2017 e 2018, a consultoria Tendências prevê que o tráfego de pesados deverá subir 1,4% e 2,8%, respectivamente.

“Neste ano a quebra do ciclo de queda foi puxada pelo desempenho do agronegócio, acima da média, e também uma leve recuperação da indústria e do comércio, mas para o ano de 2018, o agronegócio deve dar uma reduzida natural. O crescimento será equilibrado pelos outros setores da economia”, afirmou a analista do setor de infraestrutura e transportes da Tendências, que formula o índice da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Mariana Oliveira.

Esta visão de recuperação é partilhada pela diretora do grupo de Infraestrutura e Financiamento de Projetos da Ficht Ratings para América Latina, Gláucia Calp. “Os setores de infraestrutura e transportes tocaram o fundo do poço nos últimos anos, mas agora estão iniciando um processo de recuperação”, afirmou durante o Fórum da Fitch Ratings.

“As últimas notícias são favoráveis para o setor de infraestrutura, o tráfego nas estradas está em crescimento consistente, segundo a ABCR, o PIB industrial está se recuperando, o PIB agrícola segue forte, além da estabilização no nível de desemprego e na queda da inflação, que gera uma melhoria real na qualidade de vida e endividamento familiar volta a subir”, diz Calp.

Entre os veículos leves, fatores como preço da gasolina, pedágio, desemprego e renda familiar são mais sensíveis ao desempenho do setor, que registrou queda de 0,4% em 2015 e 2,8% em 2016, de acordo com os dados da ABCR.

Para 2017 e 2018, o estudo da Tendências obtido pela Agência CMA aponta para uma melhora de 2% no tráfego de veículos leves em 2017, e uma alta de 1,2% no tráfego de carros nas rodovias pedagiadas no ano de 2018.

“O segmento de leves responde mais rápido a uma melhora no mercado de trabalho e no poder de compra das famílias, como houve uma demanda reprimida nos últimos anos, 2017 registrou uma melhora com esses fatores”, diz a analista da Tendências.

Em relação à desaceleração na alta prevista para 2018, Oliveira ressalta que o movimento continuará sendo positivo, mas que haverá um impacto na renda real das famílias, devido ao reajuste do salário mínimo e de dissídio menores, que costumam ser indexados pela inflação. Além disso, a retomada do nível de emprego seguirá morosa.

NIVEIS DE 2012

De acordo com a responsável de Rodovias da Fitch Ratings, Isabel Magalhães, o nível atual de tráfego nas estradas brasileiras voltou aos níveis vistos em 2012 com a queda de 12% no tráfego de veículos pesados e 10% no de leves vista nos últimos dois anos. “Esta queda foi maior e mais longa do que o previsto inicialmente pelo mercado, com isso ficou um gap de 20% entre a expectativa do tráfego para 2017 e a realidade”, apontou.

“Em nossos estudos concluímos que temos motivos para acreditar numa retomada, a partir de três ações importantes que foram implementadas, a MP 800 – que prolonga o investimento em obras de cinco para 14 anos e dá maior fôlego financeiro às empresas – o reescalonamento da outorga onerosa e os novos modelos de concessão, que começaram nas rodovias paulistas e devem ser estendidas para o restante do Brasil”, explicou Magalhães.

Segundo o economista da Guide Investimentos, Ignácio Crespo, a recuperação do setor de rodovias pedagiadas do Brasil nos próximos períodos, combinado com a continuidade da queda no ciclo das taxas de juros, deve continuar a beneficiar os números de empresas de concessão de rodovias, como a Ecorodovias, por exemplo.

“Mantemos uma visão positiva para os próximos períodos para o setor de concessão e logística e acreditamos que o setor deve ser um importante driver para o crescimento e recuperação econômica do País”, disse Crespo.

ECORODOVIAS

Neste movimento de acreditar na continuidade da retomada, o presidente da EcoRodovias, Marcelino Seras, admitiu em reunião com investidores, que a companhia trabalha com a expectativa de alta na movimentação em todas as concessionárias que opera. “O crescimento do tráfego já impulsionou o lucro da empresa no terceiro trimestre e deverá seguir no próximo ano”.

Para Seras, o fato de o ano 2018 ser eleitoral, deverá haver uma influência no setor no que diz respeito a novos leilões e licitações. No entanto, a recuperação econômica continuará, de forma gradual, levando consigo os números de tráfego de veículos e a atividade econômica nas estradas brasileiras.

Edição: Leandro Tavares (leandro.tavares@cma.com.br)

 

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