Recuperação do Brasil depende de reformas de Bolsonaro, diz Fitch

02/01/2019 19:21:38

Por: Wilian Miron / Agência CMA

Posto da Previdência Social (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

São Paulo – A recuperação da economia brasileira depende de fatores externos e da realização de reformas pelo presidente Jair Bolsonaro, empossado ontem, segundo a agência de classificação de riscos Fitch.

Projeções da Fitch indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer em ritmo moderado nos próximos dois anos, chegando a 2,2% e 2,7% em 2019 e 2020, respectivamente.

A reforma da Previdência é considerada pela agência como fundamental para uma melhora estrutural das finanças públicas ao longo do tempo, uma vez que o sistema de seguridade do país é responsável por mais de 40% dos gastos primários do governo, e o déficit nas contas públicas está estimado em 8% do PIB para o ano de 2018.

Além da previdência, as reformas estruturais também serão necessárias para aumentar a taxa de crescimento potencial do Brasil, uma vez que a baixa expansão tem sido um fator que contribui para o agravamento da dinâmica
fiscal, segundo a Fitch. “Melhorar o clima de negócios, liberalizar a economia, reduzir a participação do Estado através da racionalização da burocracia, privatizações e maior investimento em infraestrutura serão necessários para o crescimento potencial do Brasil se recuperar”, diz a agência em relatório.

A Fitch lembrou também que, mesmo após vencer as eleições em outubro, Bolsonaro continuou a defender uma agenda liberal para a economia brasileira, e destacou que o ambiente econômico externo pode ser um desafio. “O aperto das condições de financiamento externo, a volatilidade dos preços das commodities, a desaceleração da China e uma recuperação demorada e lenta na Argentina são os principais riscos externos que o Brasil pode enfrentar em
2019”.

Entre os pontos positivos do Brasil, a Fitch listou o fato de os déficits em conta corrente serem ainda modestos, o país ainda manter um nível saudável de reservas internacionais e pressões inflacionárias. Contudo, a agência
alertou que grandes déficits fiscais e aumento da dívida pública deixam o Brasil vulnerável a mudanças nas condições de financiamento internacional e no apetite dos investidores.

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