Rating do Brasil pode ficar igual se regra de ouro for afrouxada, diz S&P

12/01/2018 15:56:24

Por: Gustavo Nicoletta / Agência CMA

Bandeira do Brasil (Foto: Netto Cruanes/FreeImages.com)

São Paulo – O afrouxamento da chamada “regra de ouro” das contas públicas, que impede o governo federal de tomar empréstimos para financiar despesas correntes – como salários de servidores e os gastos com a Previdência – não necessariamente geraria um novo rebaixamento na nota de crédito do Brasil, segundo Lisa Schineller, diretora-gerente da agência de classificação de risco S&P Global Ratings.

Segundo ela, o rebaixamento da nota de crédito do Brasil anunciado ontem incorpora, além da perspectiva de ajuste lento nas contas públicas, eventuais derrapadas ou ações dúbias do governo em relação ao controle dos gastos – entre elas o debate recém-surgido sobre suspender temporariamente a regra de ouro.

 

Schineller disse também que os governos brasileiros tendem a adotar um conjunto de políticas econômicas pragmáticas e que isso está embutido na perspectiva de melhora lenta das contas públicas que ampara a decisão da S&P Global Ratings de rebaixar a nota do Brasil para ‘BB-‘ com perspectiva estável.

Ela afirmou em teleconferência com jornalistas que a S&P não interpreta personalidades de candidatos ao avaliar cenários econômicos que incluem eleições e toma cuidado ao avaliar a retórica dos candidatos. “Tem-se visto com o tempo que políticas pragmáticas são adotadas, inclusive [sob o governo] Lula”, disse Schineller, ao ser questionada se haveria risco de nova queda no rating em caso de vitória do ex-presidente nas eleições presidenciais.

No final de novembro do ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, se fosse eleito para a presidência da República, convocaria um referendo para revogar as reformas adotadas durante o governo de Michel Temer.

O pragmatismo mencionado por Schineller diz respeito ao fato de, durante o governo do ex-presidente Lula, a área econômica ter buscado – e obtido – melhora do quadro fiscal, registrando constantemente superávits primários nas contas do governo central.

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