RADAR DO DIA: Venda no varejo cai em junho; mercado espera pesquisa eleitoral

10/08/2018 10:38:05

Por: Eliane Leite / Agência CMA (e.leite@cma.com.br)

São Paulo, 10 de agosto de 2018 – O debate entre presidenciáveis promovido ontem pela “Band” não teve surpresas e a avaliação de especialistas políticos é de um embate morno entre os candidatos, que pressionou o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) e poupou Jair Bolsonaro (PSL). A expectativa agora é em torno da pesquisa da XP/Ipespe que será divulgada às 10h30. Analistas de mercado querem saber se se confirmam os rumores de que o PT cresceu na intenção de votos.

No âmbito econômico, a agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P) afirmou o rating do Brasil em ‘BB-‘, com perspectiva estável, citando a retomada do crescimento econômico e a fraqueza institucional do País, entre elas o lento progresso e falta de apoio da classe política na implementação de medidas de correção da estrutura fiscal nos últimos anos.

“Enquanto a economia se estabilizou, vemos um crescimento lento e uma fragilidade fiscal como limitadores do país. O Brasil conseguiu deixar anos de
contração para trás, mas esperamos que a expansão permaneça fraca”, diz a S&P em relatório. A agência projeta um crescimento de 1,6% para este ano e de 2,4% em 2019.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou há pouco que as vendas no varejo não se recuperaram após os impactos da paralisação
dos caminhoneiros em maio. Em junho, as vendas restritas que excluem materiais de construção e automóveis caiu 0,3%, em base mensal, ante expectativa de alta de 0,10%, conforme a mediana dos analistas consultados pelo Termômetro CMA.

Na comparação com junho do ano passado, as vendas cresceram (1,5%), mas também aquém da expectativa dos investidores, que esperavam avanço de 2,2%. No varejo ampliado, que reúne todo o comércio, as vendas subiram 2,5% em base mensal e 3,7% em base anual.

Os resultados financeiros do segundo trimestre do ano também estão no radar. Hoje, a BRF divulgou um prejuízo de R$ 1,574 bilhão, valor 9,5 vezes
maior na comparação com um ano antes. Veja alguns dos principais números divulgados após o fechamento de ontem.

BRF: A processadora de alimentos BRF teve prejuízo líquido de R$ 1,574 bilhão no segundo trimestre do ano, resultado 9,5 vezes acima do prejuízo de
R$ 166,0 milhões obtido um ano antes. Analistas consultados pela Agência CMA previam que a empresa teria prejuízo de R$ 438,98 milhões no período, com alta de 2,5 vezes.

O resultado foi impactado pelo aumento do preço dos grãos e por um mix de menor valor agregado, que pressionaram o desempenho operacional. Além disso, a companhia lista os impactos negativos de despesas não recorrentes de R$ 672,0 milhões, em razão da operação Trapaça, da greve dos caminhoneiros, da dívida designada como “hedge accounting”, e do aumento das despesas financeiras líquidas em R$ 97,0 milhões pelo avanço do endividamento líquido com a variação cambial.

BR MALLS: A administradora de shoppings centers registrou lucro líquido ajustado de R$ 126,518 milhões, alta de 2,1 vezes (+113,6%) ante igual período do ano passado. O lucro ajustado leva em conta a variação cambial, swap a mercado, imposto não caixa, propriedade para investimento e participação de minoritários. Sem os ajustes, o lucro soma R$ 67,589 milhões, após prejuízo no segundo trimestre de 2017.

SABESP: O lucro líquido da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) somou R$ 181,9 milhões no segundo trimestre deste ano, queda de 45,2% ante o mesmo período de 2017. A receita operacional líquida subiu 5,1% na mesma base de comparação, para R$ 3,672 bilhões.

LOJAS AMERICANAS: O lucro líquido das companhia caiu 58,1% no segundo trimestre deste ano frente ao mesmo trimestre do ano passado, somando R$ 26,3 milhões. O lucro foi impactado pelo aumento de outras despesas operacionais e pela queda da receita líquida, que caiu 0,2% na comparação anual, a R$ 3,815 bilhões.

MRV: A MRV Engenharia registrou lucro líquido de R$ 166 milhões no segundo trimestre, 17,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O resultado veio em linha com média estimada pelas corretoras consultadas pela Agência CMA, de R$ 163 milhões.

NATURA: O lucro líquido consolidado da companhia apresentou queda de 80,5%, totalizando R$ 31,8 milhões, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O lucro sofreu impacto de R$37,5 milhões em custos com transformação da rede The Body Shop e despesas financeiras de R$ 57,8 milhões (líquido de imposto) relacionadas à sua aquisição pela Natura.

No mercado internacional há uma aversão ao risco em relação à Turquia com o temor de que a vulnerabilidade do sistema financeiro local se espalhe para os bancos europeus, expostos ao país, observa o Bradesco em relatório. Por outro lado, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês do segundo trimestre surpreendeu positivamente as expectativas com avanço de 0,5%.

No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo avançam, enquanto o mercado espera os dados semanais sobre a perfuração de novos poços nos Estados Unidos.

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